O fim do vestibular na UFSM

22maio14

Segundo me contaram faz poucos minutos, o CEPE da UFSM aprovou hoje pela manhã a decisão de não haver ingresso por meio de Concurso Vestibular na UFSM, para o próximo ano. Os candidatos a uma vaga na UFSM deverão trazer a nota do ENEM. Os alunos que que ainda não se inscreveram no Enem tem até amanhã a noite para fazer isso.
A nota que o aluno obtém no Enem cai em um sistema de seleção unificado para todo o Brasil. É o SISU, Sistema de Seleção Unificada, um sistema informatizado gerenciado pelo Ministério da Educação no qual as instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para os candidatos participantes do Enem. Como se pode ler na página do Sisu, “o processo seletivo é realizado duas vezes ao ano, sempre no início do semestre letivo. A inscrição é gratuita, em uma única etapa e é feita pela internet.” Para que isso funcione, duas vezes por ano as “instituições públicas de ensino superior que optam por participar do Sisu ofertam vagas em seus cursos. Ao final do período de inscrições, são selecionados os candidatos mais bem classificados dentro do número de vagas ofertadas.”
Termina assim o vestibular da UFSM, sem maiores pompas. Não haverá mais problema de hotelaria, trânsito, engarrafamentos na faixa, cursinhos pré-vestibulares específicos da UFSM, etc.
A proposta, radical, como se vê, e com muitas conseqüências que surgirão ao longo do tempo, ao que parece foi encabeçada pelo DCE e contou com um clima muito animado de resgate de cidadania. Houve conselheiro que disse que essa mudança era mais do que necessária, pois a Coperves, por melhor que tivesse sido, tinha seus senões. Alguém disse – bastará ver a ata – que “o Peies virou o caixa dois da Universidade”. Outros lembraram que a nova extensão da UFSM em Cachoeira do Sul terá seu ingresso pelo Sisu, e que seria coerente que o sistema de ingresso fosse então o mesmo para toda a instituição. E foi assim, no entusiasmo, que acabou o vestibular na UFSM. E, por certo, o PEIES, PS1, PS2, etc.
Nove entre dez cabeças da UFSM apostavam que em algum momento isso aconteceria. O vestibular da UFSM é um processo trabalhoso e caríssimo, de um lado; e de outro o Governo pressiona pela adesão integral ao Enem e Sisu. Era uma questão de tempo, na avaliação das pessoas da área. Mas ninguém pensava que seria assim, em 24 horas e no sopetão do CEPE, que terminaria tudo.
Fiquei pensando na demanda dos empresários, que queriam melhor integração da UFSM com a comunidade; acho que não vão poder se queixar, afinal, nos integramos melhor ainda com a comunidade brasileira. Integração por integração, o CEPE pensou grande. Não sei se pensou bem no timming. Mas estamos em tempo de copa, não?

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3 Responses to “O fim do vestibular na UFSM”

  1. 1 Alexandre

    Impressionante… Não deveriam fazer um plebiscito ou referendo interno entre professores sobre isso? Se as provas de habilidade específica dos cursos que a exigem forem também abolidas, vai ficar muito difícil sequer pensar na possibilidade de formar um profissional…

  2. 2 Vítor Costa

    Estava cá conversando com Alexandra sobre os tempos do Vestibular e da minha breve incursão no mundo da preparação para as provas. Agora mesmo, com toda a sincronicidade a que se tem direito. E então eis que o Zucka me avisa que faz quatro anos dessa sua postagem. Acho que nunca lhe passei um relato sobre o causo e tal como ele me atingiu. Talvez agora, com a distância dos anos, seja uma boa hora.

    Eu mesmo fui avisado do decreto do fim da festa durante uma aula em que eu falava de qualquer coisa de método científico e paradigmas em mudança, veja só. Assim mesmo, em sala de aula, pela sempre prestativa equipe do pedagógico da empresa, sempre muito atenciosa com os clientes (ou seriam chefes?) dos “trabalhadores da educação”. Sabia que aquilo soava aos ouvidos dos meus alunos (ou clientes, já não lembro) na mesma magnitude que a deflagração de uma guerra mundial. Não imaginava ver gente no chão, chorando o fim do sonho, logo após o apito do intervalo da aula (só vi algo parecido umas semanas depois, nas emblemáticas imagens do 7 a 1). Já tinha calos – nos dedos, graças ao giz, mas também na língua – para saber o que me cabia dizer: que estava tudo sob controle. No fundo eu sabia que me referia mais ao caráter plástico do empreendimento do que a qualquer outra coisa. Mas calhou de que no final daquele ano, por obra do acaso mas não sem que eu tivesse parte de mérito, minha colaboração com o empreendimento fosse agradecida e descontinuada. Aproveitei a ocasião para fechar a conta e passar a régua em todos os contratos da mesma natureza para, quem sabe, me dedicar ao meu próprio currículo (coisa que, segundo alguns, faria de mim já logo-logo uma mão de obra um pouco mais cara). O vestibular da UFSM terminou pra mim de mais de uma maneira naquele 2014.

    Mas como as histórias não são escravas da cronologia, termino esse breve relato mencionando aquele prosaico vestibular da UFSM de 2007, ano em que eu mesmo fui um dos candidatos no certame das Letrasinglês (que acabei abandonando depois do primeiro semestre). Ano simbólico, pois eu, com quatro anos de filosofia nas costas, tive a oportunidade de enfrentar aquela prova privilegiada, na qual as questões da minha disciplina vinham sempre vinculadas com outras de outras disciplinas, um verdadeiro grito de transversalidade para o qual eu ainda não era um bom ouvinte. Para nós, da paróquia de Santa Sofia, eram dias promissores que, depois de alguns outros muitos, se mostraram mais caracterizados pelos futuros passados que se esperavam, das mais diversas maneiras. Eu, filho do PEIES e da escola pública, sinto uma nostalgia talvez perversa dessa época. Morava na Campinas gaúcha, onde a vida borbulhava – talvez mais desde mim do que desde o mundo exterior – e, talvez eu nem devesse lhe dizer mas… fazer parte daquele enredo descontinuado de uma história que se eternizou mais pelas possibilidades que pelas realizações – e esse vinho – botam a gente comovido como o diabo.

    Grande abraço, professor!

    • 3 Ronai Rocha

      Bons tempos! Obrigado pelo comentário, Vitor. Lembrar desse período também me afeta muito e me renova as poucas forças que ainda me restam para prosseguir nessa lida de trazer um pouco mais de laicidade para a Santa Sofia. Gostei da “Campinas gaúcha”! Forte abraço!


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