A volta do vestibular?

20jun14

Li, faz poucos minutos, no sítio do Claudemir, o documento do Ministério Publico sobre o affaire do vestibular da Ufesm. O MPF entendeu que a UFSM foi precipitada em decidir pelo fim do vestibular depois de, de certa forma, tê-lo anunciado. Li também, no mesmo sítio, o documento que Dom Adede y Castro juntou ao processo. Ele teve a feliz ideia de ler o estatuto e o regimento da Ufesm, e tratou de lembrar ao Juiz que a Ufesm gravou o ingresso por vestibular em seu regimento geral, que somente pode ser reformado pelo Conselho Universitário, e nada disso aconteceu. Isso havia passado desapercebido a todos. Assim, não me parece outro o remate do causo: o vestibular da Ufesm estará de volta em poucos dias. Será reposto pela Justiça e a Ufesm, um tanto constrangida por tamanho esquecimento, não deverá sequer interpor recurso contra tal decisão, movida pelo bom-senso de que certamente ainda dispõe.
Eu escrevi, no dia em que a decisão foi tomada, que a proposta de terminar com o vestibular neste ano não havia sido feita publicamente por ninguém antes do começo da fatídica reunião. Cheguei mesmo a reproduzir a página do Diário, da véspera, com as propostas existentes, que não contemplavam o 100 Sisu. A proposta vencedora surgiu no parecer de vistas dos estudantes, que tinham todo o direito de fazer isso, me apresso a acrescentar. Que o CEPE tenha decidido por isso são outros conselhos que, tendo sido seguidos, deram no que deram. Se foi amadorismo, precipitação, ou excesso de idealismo, como sugerem as opiniões, apenas o tempo dirá.
O lado bom da coisa me parece ser esse: ninguém está contestando o mérito da decisão do CEPE em orientar-se integralmente para a seleção pelo Sisu; ninguém contesta que esse é um bom caminho.
O vestibular vai voltar por causa de uma pressa injustificada e de uma prosaica desatenção à lei.

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9 Responses to “A volta do vestibular?”

  1. Para mim essa questão do regimento levanta mais dúvidas do que certezas.

    No regimento sobre essa parte está escrito,

    “Art. 116. A Universidade promoverá o ingresso de candidatos aos Cursos de Graduação mediante concurso vestibular.”

    No entanto, em outro artigo está,

    “Art. 123. Além do concurso vestibular, poderá haver outras formas de ingresso, tais como reingresso, transferências, e ingressos de graduados, na dependência de vagas, de acordo com normas aprovadas pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão”

    Pois bem, seria o PS um vestibular? Se sim, então os artigos estariam sendo contemplados. Se não… O que seria então esse vestibular?

    O regimento complementa, diz que o CEPE define o modelo,

    “Art. 118. O modelo do concurso vestibular será proposto pela Comissão à Pró-Reitoria, que o submeterá à aprovação do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE).”

    Mas pouco fala sobre o dito cujo… Apesar da já ser uma “marca” consolidada da, sua etimologia nos amplia a interpretação,

    Tal palavra vem do Latim VESTIS, “roupa, veste”.
    VESTIBULUM, um diminutivo, era uma peça na entrada da casa onde as pessoas retiravam roupas de rua (capa, abrigos) ao chegarem ou as colocavam antes de sair.
    Passou a designar a entrada de prédios.
    Da noção de “entrada” passou a indicar também a “entrada” no ensino superior.
    Também indica dilatações no início de um canal, em Medicina.

    Dito isso, e se é para ser literal como prefere esse pessoal da dita “justiça”, o SISU, conforme definido no CEPE do dia 22 de maio, para mim é um vestibular muito melhor, mais avançado e mais democrático que o antigo jamais seria! E que venha o povo!

  2. Será que em alguma universidade brasileira esse assunto foi amplamente discutido com a seriedade e a calma que ele merece?

  3. Professor Ronai, será que o senhor poderia dedicar uma postagem ao assunto mestrados profissionais? Há uma onda de mestrados profissionais no Brasil, porém na filosofia ainda não vimos. Quais seriam as vantagens e desvantagens em relação aos mestrados acadêmicos? Será que há uma resistência dos cursos de filosofia das grandes universidades em adentrar uma proposta assim?

    Algumas notícias sobre o assunto:

    Mestrado profissional a distância está em alta na rede pública
    educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2014/01/20/mestrado-profissional-esta-em-alta-na-rede-publica.htm

    USP ‘quebra preconceito’ e já é líder em mestrados profissionais no Brasil
    http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2014-05-15/usp-quebra-preconceito-e-ja-e-lider-em-mestrados-profissionais-no-brasil.html

    Mestrados Profissionais em Artes, Administração Pública e História são lançados na Capes
    http://www.capes.gov.br/36-noticias/6941-mestrados-profissionais-em-artes-administracao-publica-e-historia-sao-lancados-na-capes

    Da validade dos Mestrados Profissionais.
    http://www.capes.gov.br/duvidas-frequentes/65-validade-de-diplomas-e-cursos/2359-da-validade-dos-mestrados-profissionais

    Gostaria muito de ler a sua opinião sobre o assunto. Desculpe se a parte de comentários não foi a mais apropriada para entrar em contato e fazer este pedido.

    Atenciosamente,

    Daniel

  4. 6 Marionald Ferreira

    Penso que não houve nenhuma ilegalidade!! se o tema for por esse caminho. Essa discussão é importante sob todas as formas,porque estão a desnudar ,alguns, seus conceitos mais escondidos. Mas como fonte e espaço de discussão, a UFSM se matem fiel a sua origem de propagar a extensão,pesquisa e ensino.

    • 7 Ronai Rocha

      Marionaldo, dado que o Enem não é um vestibular e sim um exame de proficiência do ensino médio, que pode ou não ser usado pelo examinado para concorrer a uma vaga no Sisu, creio que o juiz pode entender que houve alguma ilegalidade, dada a letra fria de nosso regimento. O PS, mencionado pelo Alex, anteriormente, é um processo seletivo alternativo que serve unicamente para o acesso a vagas da Ufesm, e por isso é uma modalidade de vestibular. Concordo contigo que essas discussões são importantes, em especial para que se mantenha o espírito da Ufesm. Não podemos esquecer, porém, que ensino, pesquisa e extensão não são propriamente objetivos da universidade, e sim classes de atividades. A Emater se dedica à extensão, sem ensino, por exemplo. Abraço!

      • 8 Marionaldo

        A UFSM desde de sua assembléia universitária, ao qual também fui junto com Paulo Pimenta e Prof. Edson Moraes, visitar o grande e temível Jorge Borhause, merece ser rediscutida, estar em seu tempo e não guardada pelo muro invisível que todos sabemos que tem mas poucos tem coragem de expor a sua existência.
        Essa discussão sobre o inicio de um processo universal que é o enem sisu, pode ser um bom reinicio. Mas além disso, estamos trabalhando muito para a estatuinte. Sabes meu querido mestre Ronai, as vezes tenho a impressão que alguns não aceitam o novo simplesmente porque o medo é maior que a esperança.
        Queria muito que pudéssemos fazer do espaço acadêmico um grande centro de discussão de conceitos e de possibilidades capazes de promover mais e mais a cidadania.
        Pena que hoje o que se vê é a reprodução do quanto pior melhor.
        Mas, como dizem alguns, é do jogo.
        Talvez digas que esse não é propriamente o papel da universidade, e eu te pergunto, quantos sabem qual é o propósito das universidade?
        Só para deixar claro, faço essas postagens, pois quero aprender, já que sou te enterno aprendiz.
        Abraços

  5. 9 Ronai Rocha

    Caro Marionaldo, podes contar comigo na lida para que a UFSM não apenas adote o Sisu e o Enem, processos com os quais concordo, como a maioria, mas também para que ela seja, cada vez mais, um espaço de discussão de conceitos e promoção da cidadania. As universidades, não preciso lembrar, são instituições centenárias, e o ritmo das transformações delas não é e não pode ser o mesmo ritmo de empresas privadas. Assim, podes contar comigo também para debater sempre que a pressa para certas transformações for superior ao cuidado que devemos ter com instituições assim tão importantes na história da humanidade. Forte abraço!


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