A decisão e a decisão da reitoria da Ufesm

24jun14

IMG_3876Conforme se esperava, por variadas razões e motivos, o juiz federal Loraci Flores de Lima convenceu-se e decidiu que a Ufesm deve manter seus planos iniciais e realizar o vestibular previsto por ela mesma. Por parte da justiça, prevaleceu o bom senso. Por parte da Ufesm, a ver.
O que se espera é que a atual administração não faça do episódio um cabo de guerra, a saber: que aceite o fato de que o CEPE tomou uma decisão inesperada e contrária a todas as expectativas – inclusive as próprias expectativas da atual reitoria, que nunca falou, ao longo do ano, em trocar o vestibular pelo Sisu – e não entre com recurso.
Repito o que disse. A única decisão razoável da Ufesm, nessa hora, consiste em aceitar a decisão judicial. Se ela recorrer, o que vai ganhar?
Se houver recurso por parte da Ufesm, a perda será tripla; perda nas relações com a cidade, perda de credibilidade como administração, por trazer aos vestibulandos uma insegurança maior ainda, e, finalmente, a perda do recurso em prazo tardio, prejudicando a própria realização do vestibular; cada dia que passa atrasa mais a preparação do vestibular. A decisão de um recurso pode demorar semanas, que serão preciosas para a preparação do mesmo.
A unica decisão razoável para a UFesm, nessa hora, é cumprir a decisão judicial. Seria uma forma de demonstrar adultez e humildade, profissionalismo e cortesia.
Ou o contrário.
Que fique claro, mais uma vez: longa vida ao Sisu, longa vida ao Enem, todos corretos e bem-vindos, mas, como entendeu o juiz, no devido tempo, e não assim, na surpresa de uma decisão que não estava, para este ano, nos planos da atual administração.
Será muito difícil aceitar isso?

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5 Responses to “A decisão e a decisão da reitoria da Ufesm”

  1. 1 Marionaldo

    Não esta morto quem peleia.

    • 2 Ronai Rocha

      Mas onde estaria a peleia? E quem iria morrer? A reitoria, todo mundo sabe, nunca peleou pelo Sisu 100%. E vai morrer por algo que nunca quis? Ok, mas eu acho que a gente deveria morrer pela peleja que escolhe.

  2. 3 Alexandre

    Prezado Ronai, em geral concordo com a maior parte do que postas aqui e aprecio bastante o teu bom senso. Desta vez discordamos, creio que inteiramente ou quase. Sou 100% contra o ENEM – como exame único, bem entendido – e parcialmente contra o SISU. Não sou o único. Há muitos professores – não sei se mais ou menos que a maioria – da UFSM que discordam do fim do vestibular, e por razões acadêmicas mesmo.

    Para mim está claro que o ENEM-SISU é o início do fim da autonomia universitária. A continuar como vamos – na política nacional de educação – o próximo grande passo poderá ser uma unificação das ementas de todos os cursos, até para manter um mínimo de coerência, pois prova única para cursos diferentes não faz sentido, não é? Curiosissimamente, tenho ouvido das mesmas vozes que sempre atacaram o sistema universitário norte-americano, e que defendem o ENEM, que o ENEM seria algo como um exame do ETS. A comparação não procede porque nenhuma das melhores universidades dos EUA aceita alunos somente pelas notas dos exames ETS.

    Enfim, o assunto é longo e só quis registrar que muitos professores são contra o fim do vestibular e que não há nenhum consenso a respeito.

    Abraço,
    Alexandre

    • 4 Ronai Rocha

      Olá Alexandre, obrigado pelo comentário. Reconheço que, no calor do debate, tenho simplificado muito a questão do Enem-Sisu, tratando-a como uma tendência inevitável e boa. Isso merece um tratamento mais de perto, que não tenho feito. Uma das linhas de crítica a adesão completa diz respeito ao tratamento fino que o vestibular permite para certas carreiras, com provas específicas (musica, por exemplo) e um tratamento mais fino ainda para grupos minoritários, com objeções religiosas (sabatistas) ou portadores de necessidades especiais. Em casos assim a Ufesm é uma das melhores do país. Esses aspectos serão prejudicados. Assim, reconheço que a adoção integral desses modelos é demasiadamente simplificadora e deve, ao modo de outros países, ser complementada. Não tenho tratado muito disso pois fiquei mais preocupado com a atitude da reitoria, de fazer de conta que não sabe do que se está falando; tem havido, literalmente, desconversa, troca de assunto, com essas queixas sobre o ataque a autonomia e a pretensão de legalidade e legitimidade. Diante da sentença do juiz, parece que a reitoria vai fazer a mesma coisa: mudar de assunto. Eu não tenho duvidas que essa estratégia de se fazer de surda vai dar em nada, isto é, vai resultar na perda dos recursos, por pura insensatez político-administrativa.

      • 5 Alexandre

        Oi Ronai, parece-me que o problema do ENEM-SISU vai além dos cursos que requerem habilidades e conhecimentos específicos. Posso estar errado, mas veja bem: unificar o exame de ingresso para todas as IES públicas faz parte de uma política de aumento massivo da interferência do governo, muito em particular do executivo (o mais preocupante), na educação superior. Daí a uma unificação de ementas pode ser um pulo. Imagine, por exemplo, o que significaria uma unificação de ementas na tua área. Seria uma catástrofe para a grande área das chamadas humanas e sociais, onde qualquer trabalho é referenciado a partir do pensamento de indivíduos, muito em particular a filosofia, mas também antropologia, sociologia e história (onde a política partidária já é aliás endêmica em todo o país). Já imaginaste um burocratóide da educação em Brasília ditando o que você deve e não deve ensinar a teus alunos na tua própria área?

        No caso das “exatas”, embora esse problema me pareça menor, ainda assim departamentos de física, matemática, computação, etc. de todo o país diferem bastante em seus conteúdos e ao longo de todos seus cursos. Medicina menos porque todos precisam do mesmo básico… Pois bem, o ENEM pode satisfazer algumas áreas de “exatas” em alguns lugares mas não satisfazer em outros lugares. Quem garante que o ENEM nivelaria por cima?

        Quanto ao SISU, tem suas vantagens que já conhecemos. Mas, assim como o ENEM pode ser uma ferramenta política de centralização de poder, o SISU também pode vir a desempenhar um papel, digamos, ‘bolivariano’, dependendo das políticas do PT, se vier a continuar no poder (o que é provável). Estou sendo pessimista? Talvez. Só o futuro dirá… Abraços!


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