Sobre as birutas de aeroportos. Ou: opinião é como bunda, cada um tem a sua; mas há mais do que opiniões, felizmente há embriagados, por exemplo.

25jun14

Na opinião do vice-reitor, nenhuma ilegalidade foi cometida pela Ufesm, e assim todos os esfalfos e fadigas serão cometidos para que a indigitada decisão do Cepe seja preservada, informa o boletim da Sedufesm do dia de hoje.
Na opinião do presidente da Sedufesm, na mesma nota, de fato, pode ter havido uma “decisão apressada” da ufesm. Alvíssaras! O presidente reconhece que os “canais de diálogo entre a ufesm e a comunidade interna” precisam ser melhorados, pois do contrário podem surgir as “brechas” para a interferência judicial…
Na opinião do DCE o judiciário deve ser repudiado por ferir a autonomia universitária e com isso privilegiar as elites locais, etc.
Na opinião da Assufesm, a decisão do juiz deve ser repudiada, por desrespeitar as decisões das instâncias da ufesm.
Bonita essa louvação do Cepe. Pena que é apenas uma atitude de ocasião.
Seria tedioso listar as trezentas vezes nas quais as decisões do Cepe foram repudiadas pelas mesmas entidades. Seria também tedioso listar as trezentas vezes nas quais o Cepe foi alvo de mandatos judiciais parecidos. Seria tedioso lembrar que na atual proposta de comissão provisória de estatuinte da ufesm não há representação da comunidade externa à cuja. Sinais da semana ou dos tempos…? Ou será que a comunidade provisória não é externa? Epa, acho que a estatuinte provisória não será externa. Mas isso não importa muito agora, acho.
Salvo melhor juízo, a sentença do repudiado juiz não se importou muito com ilegalidades no estrito senso do termo. Justiça não se faz apenas com alguma letra fria cozida em sopa de pedras, chocolate pela notícia!
Já que está na moda opinar contra a sentença do juiz Loraci, vou dar a minha.
O juiz Loraci ateve-se essencialmente ao seguinte: a Ufesm havia prometido informalmente fazer o vestibular e passou a perna em todo mundo, fez um tucufum, comportou-se como biruta de aeroporto, mudou de direção de um dia para o outro e isso nada tem a ver com legalidades ou autonomias, foi apenas uma leviandade institucional.
Eu estava tentando explicar isso quando fui interrompido.
Cara, é tão simples, me diz o bêbado na mesa ao lado, e me serve mais uma taça de vinho. E segue o bêbado:
– “Tá que nem a história do rei pelado, né?
Fiz de conta que não entendi, que rei pelado?
O bêbado não estava tão bêbado assim e corrigiu.
Okei, era aquele pelado que pensava que estava vestido, okêi, a comparação não é boa, mas é, então, como a história da conversa de surdos”.
– “Como assim?”
– “Te faz de bobo, não tá vendo? Um fala uma coisa, o outro responde outra que não tem nada a ver”.
– “Como assim?”
– “Te faz de bobo, né? Tá todo mundo desconversando. O juiz diz que só faltava marcar a data do vestiba, isso era meio que promessa, e os caras da ufesm dizem que o louco ataca a tal da autonomia, bando de fazidos, conversa de surdo!”
– Fazidos?
– Cara, vai na normal… tu também vai te fazer?
Paguei minha conta e voltei para casa, chuva miúda na cabeça.

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One Response to “Sobre as birutas de aeroportos. Ou: opinião é como bunda, cada um tem a sua; mas há mais do que opiniões, felizmente há embriagados, por exemplo.”


  1. 1 Bei » Vestibular. Uma análise, digamos, cáustica. Mas bem humorada do ‘sai-não-sai’ vestibular na UFSM

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