A lata de lixo dos ornamentos filosóficos

30dez14

Bem que eu tentei ler cuidadosamente o livro de Paulo Arantes, O Novo Tempo do Mundo, em 2014. Mas o livro dele ficou na lista dos livros que li um tanto superficialmente, apenas para ter uma boa idéia do que ali se passa. Acho que fiquei no lucro, pois Arantes me levou ao belíssimo livro de Koselleck, Futuro Passado, cujos conceitos são centrais para entender o tal do novo tempo. Trata-se de uma coleção de ensaios, que começam discutindo o fim das esperanças revolucionárias e terminam com uma discussão sobre as jornadas de junho de 2013.
Mas algo me fez voltar agora ao texto de Arantes. O livro ganhou uma resenha na revista Piauí (numero 99, do corrente Dezembro), assinada por Ruy Fausto: “A esquerda encapuçada: as cegueiras do niilismo neomarxista de Paulo Arantes”. Não me lembro de alguma discussão tão, digamos assim, séria, nos últimos anos. Ruy, depois de apontar aqueles que considera pontos fracos, hipérboles e inoperâncias de estilo, banalizações do horror, simplificações ou lacunas na argumentação de Arantes, conclui o artigo reconhecendo o livro como a “obra de um grande intelectual que abraça sem crítica a chamada violência revolucionária”.
Assim, bem que tentarei mais uma vez uma leitura cuidadosa do livro de Paulo Arantes. Na primeira vez que o li, fiquei impressionado com certo humor e estilo, que ficam exemplificados na página 459 (o livro tem 460 páginas). Ali, contrariando o conselho de Carlos Drummond de Andrade, que recomendava cautela aos poetas, quando se pronunciam sobre acontecimentos, Paulo Arantes refere-se à morte do jornalista, na esteira dos eventos de junho de 2013:
“Essa morte trágica de um jornalista foi a gota d’água na qual nos afogaremos todos. Daqui para a frente (ele escreve em fevereiro de 2014) haverá muita morte acidental de um anarquista e não será comédia.”
Felizmente não tivemos muitas mortes acidentais de “um anarquista”. A única morte, até agora, foi a do jornalista.
Arantes acrescentou, na sequencia do texto acima:
“Embora sem saber se o que nos espera varrerá tudo o que foi escrito até aqui para a lata de lixo dos ornamentos filosóficos, continuemos”.
Continuemos, pois, em 2015.
A ver o que irá para a lata de lixo.

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