Somos todos Charlie: o custo de “castigat ridendo mores”.

07jan15

Em Solo de Clarineta, volume 1, cap. I, 6, do Érico Veríssimo, há o seguinte trecho: “Sebastião Veríssimo fundou em Cruz Alta um jornal humorístico, O Calhorda, com o espírito do ridendo castigat mores.”
E com isso O Calhorda atraiu para si a ira de alguns bem postados cruzaltenses.
A frase latina quer dizer “Rindo castiga os costumes”. São palavras de Jean de Santeuil (1630-1697), referindo-se a um busto de Arlequim, e adotadas, a seguir, como lema na fachada de teatros e, principalmente, como lema para o trabalho de humoristas.
Os humoristas – e assemelhados – estão acostumados com o fato de, por vezes, atrair a ira daqueles que são, por assim dizer, as vítimas de suas penas. Tudo se passa, no entanto, no plano do simbólico.
A morte dos cartunistas franceses – eu me assustei ao ver o nome de Wolinski, que é bem conhecido aqui no Brasil – não parece ser apenas um atentado terrorista a mais.
É um isso que, penso eu, não estamos assim tão preparados para pensar.
De um lado, não podemos abrir mão de castigar certos costumes, pois isso seria o mesmo que renunciar ao próprio espírito do espaço em que nascemos.
De outro, qual é mesmo, o que é mesmo, o outro lado?
Encore un effort.
Encore un effort. Falta muito para que “nós” seja mesmo uma república.
Se é que.

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