15 de Março, fim de tarde

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Não resisti à tentação de dar uma espiada na avenida Medianeira, a ver como iam os protestos locais do 15. Fui até a Basílica da Medianeira e cheguei bem na hora em que o pelotão de frente ali chegava. Subi a avenida, em sentido contrário aos caminhantes: a coluna chegava até o Posto Dutra, umas cinco quadras de gente, bem compactada. Considerando o solaço da hora, foi um sucesso, eu acho. E de resto parece ter sido assim no demais do Brasil, em especial na São Paulo da Avenida Paulista: dali fala-se em milhão.
Na entrada da noite, Rosseto e Cardoso falaram pelo Governo: elogiaram o clima democrático e respeitoso do dia e louvaram as virtudes do estado democrático de direito, a liberdade de manifestação dentro da lei e da ordem. Disseram que o governo está atento para ouvir as vozes das ruas e que há um ponto de identidade entre os movimentos dos dias 13 e 15: a ênfase no combate à corrupção e a impunidade. Falaram em medidas de combate a corrupção e na necessidade de reinvenção do sistema politico eleitoral (“anacrônico”), com o fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais. Rosseto, fiel a si mesmo, não desceu dos tamancos: insistiu (três ou quatro vezes) que os manifestantes de hoje são aqueles que não votaram em Dilma. Mas e daí? O ponto não me parece ser esse. Entre outros, uma vida inteligente sugeriria ao país uma calibragem do alicate do poder, com uma autocrítica que não gerasse fraqueza fatal na mordida. Rosseto e Cardoso não foram autorizados a calçar alguma sandália da humildade diante dos vestígios do dia. Viram o que quiseram ver, foram irrelevantes e acabaram levando um panelaço.
30 anos de regime democrático é muito pouco. E a democracia é muito frágil, como a a história mostra. Assim, o 15 de Março me pareceu de bom tamanho. Suficientemente expressivo, para que a turma do romanee conti sinta o clima adverso e apresse alguma autocrítica; suficientemente contido para que as instituições democráticas sejam relembradas para serem reforçadas.
Afinal, todas essas denúncias do Petrolão somente são possíveis no contexto de construção da democracia, que não é apenas um sistema de garantias formais. E quem inventou essa história de Ministério Público, independência de poderes, etc? Foram os marcianos?

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