Três meses e mais

24ago15

No próximo dia 28 de agosto a greve dos servidores técnico-administrativos da Ufesm vai completar três meses. No dia em que a greve foi decidida comentei com uma grevista do meu prédio que esperava vê-la de volta em setembro, infelizmente, disse, com nenhuma reivindicação atendida. Ela fez uma expressão de que não acreditava no que eu dizia. Expliquei que faz mais de trinta anos que acompanho essas coisas, que isso era totalmente previsível no clima que vivíamos, nas universidades e no país. Falei sobre o esvaziamento e a banalização das greves, etcetera. Nos despedimos.
Dias depois os docentes da Ufesm recusaram a greve. E semanas depois recusaram de novo. Tivéssemos entrado, estaríamos por fazer também três meses de greve. Dizem que os docentes da Ufesm passam por “passivos”, etc.
A descrição que os sindicatos fazem é que dezenas de universidades estão em greve, fortes, firmes, coesas. Há quem diga que não é bem assim. A UFRGS conta na lista das universidades em greve, por exemplo. Mas não, como se sabe.
Há novidades, no entanto. Depois de três meses de parada o Ministro da Educação aceitou conversar com os grevistas. Pelo Facebook.
O presidente do ANDES-SN, Paulo Rizzo, fez hoje uma avaliação da conversa e concluiu (ou foi um protesto?):
“Ele dá respostas pelo Facebook, mas efetivamente não negocia”.
Tendo em vista a posição de intransigência de Renato, haverá nesta semana uma Grande Marcha para Brasília, para que, no dia 28, ele seja pressionado para negociar com a categoria. A hastag é #negociajanine.
Os temporas e os mores estão de fato mudando!
A greve entrará Setembro a dentro, na espera de um pretexto para ser encerrada.

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One Response to “Três meses e mais”

  1. 1 Alexandre

    Pois é… mas encerrar para quê? Os funcionários que não estão trabalhando todo esse tempo continuam recebendo pontualmente seus salários pagos por todos os brasileiros. E os que estão trabalhando para não nos deixar na mão entram e saem quando querem, ou conforme entendimentos pessoais com chefes de departamento e coordenadores de curso… Se estivéssemos nós também em greve, a situação seria a mesma, salvo, é claro, para os alunos. A greve deles dificulta nossa vida, mas não nos impede de manter o fundamental funcionando… E o governo, é claro, não está nem aí. Afinal, diante do que lá se rouba, que importância tem para eles que funcionários públicos de órgãos tão supérfluos como universidades ganhem sem trabalhar?…

    Agora, falando um pouco mais sério, vamos ponderar: se os salários de funcionários públicos brasileiros fossem cortados no dia seguinte ao início das greves, quantos adeririam às greves?


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