Pensamento em greve

28ago15

BH4H6123-1-2A reunião do Conselho Universitário da Ufesm na manhã de hoje mostrou que as patrolas da paridade terão que contar mais favas. O parecer da Comissão de Legislação do Consu rejeitou a proposta de metodologia, lembrando que a LDB indica que os processos de decisão que levem à alteração de estatutos e regimentos das universidades não podem deixar de cumprir a regra 70/30. Contra esse argumento (de resto respaldado pela Procuradoria Jurídica da Ufesm) foi dito por outro membro da comissão de legislação que a LDB não se aplica ao caso, pois o texto final da comissão paritária que escreverá a estatuinte será homologado por um Consu 70/30. Esse contra-argumento baseia-se na analogia com a escolha do reitor, feita por voto paritário e homologado pelo 70/30.
Já disse aqui e repito: a analogia é fraca, e isso é mortal para o pensamento por analogia. Uma coisa é o episódio pontual da escolha de dirigentes, outra coisa é o processo de recriar a instituição. Não é necessário corredor polonês para garantir a lista triplice que sai das urnas; mas acho que ele voltará para garantir os conselhos paritários que sairão necessariamente de uma estatuinte assim concebida.
O processo foi retirado da pauta, por um pedido de vistas, para novo parecer. Voltará em breve, para nova contagem de favas.
São duas posições, por ora. Uma delas diz algo assim: “Relaxem, pois tudo o que for parido pela Estatuinte Paritária será depois pesado pelo Consu 70/30!”.
A outra parece dizer algo assim: “Para que esse teatro de parir o Paritário, se o Consu não poderá aprová-lo? Quem ganhará com esse circo de pares”?
E, acrescento eu: qual perfil de professor vai se candidatar a membro uma estatuinte na qual os outros dois segmentos já deram as mãos para patrolar a coisa toda no rumo dos conselhos paritários?
Assim, quando a estatuinte sair, se ela sair nos termos em que está sendo proposta, uma coisa é certa: será mais vazia do que bolso de cueca, por falta de uma representatividade docente razoável; e será mais furiosa do que jaguatirica enredada, no rumo da utopia dos pares.
Antes que me tirem de legalista, esclareço: não me emociono demais com os argumentos da LDB, apenas os respeito; eu me impressiono muito mais é com aqueles que promovem uma analogia medíocre e fajuta: que uma universidade federal é uma pequena sociedade para a qual valem os mesmos princípios que usamos para pensar a sociedade civil. Que falta faz um Hegel nessa hora!
Nada contra repensar, em uma Estatuinte, a instituição; tudo contra a patrolagem promovida pelo pensamento que faz greve de pensamento.

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