Sobre vocações e santidades

31maio17

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Na semana passada aconteceu em Vale Vêneto um pequeno evento na área de Filosofia, ali no prédio dos Padres Palotinos. O ponto central do evento era o debate do texto de Max Weber, A Ciência como Vocação. Abaixo de chuva e frio, o que nos esquentou foi a conversa e o vinho. Ficou claro para nós que, cem anos depois, o texto de Weber ainda dá o que pensar e circula entre nós nas mais diversas mãos. Uma passagem dele está sendo invocada, por exemplo, pelo movimento “escola sem partido”. Fiquei pensando sobre a brutal atualidade e importância da conferência que é gêmea dessa, A política como vocação. Foi dela que me lembrei, faz 22 anos, quando surgiu um dos primeiros debates sobre o comportamento ético e político da esquerda brasileira. O debate envolveu José Genoíno e Cézar Benjamim.
Cézar havia se desfiliado do PT em alto estilo. Ele havia publicado um artigo na Folha, no qual acusava o PT de passar por uma crise ética, na medida em que aceitava e praticava condutas semelhantes aos demais partidos, em especial aceitando financiamentos de campanhas por empreiteiras. Genoíno, em resposta, na mesma Folha, (31.08.95, Qual é a crise do PT?) sustentou que a crise do PT não era de caráter ético, e sim de natureza política. A partir de um mote weberiano, Genoíno argumentou, contra Benjamim, que a política não podia ser confundida com a ética, mas que nem por isso ela era desprovida de valores. Nada mais weberiano do que isso. Essa observação foi feita junto à outra: “Na concepção da esquerda tradicional sempre imperou a máxima de que os fins justificam os meios”, e deveríamos deveríamos ver, contra a “esquerda tradicional”, que “fins e meios devem estar de acordo, que somente determinados meios podem ser legitimados pelos fins”. No final do artigo essa singela crítica da esquerda curvou-se levemente, pois ele termina o artigo dizendo que “deve-se abandonar no PT a presunção de que exista um partido único portador da verdadeira moralidade. Nem a esquerda é santa e nem o PT está corrompido”. Mas isso faz muito tempo, vinte e dois anos.Hoje o que mais se ouve são as vozes do silêncio. Vou aproveitar essa quietude de santos para reler A Política como Vocação.

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