O marco da discórdia

09mar11

Essa expressão, “marco da discórdia”, consta do livro de Tau Golin, A Fronteira, publicado pela L&PM em 2004. Somando o que ele conta ali com o que é narrado no livro Fronteira Iluminada, de Fernando Cacciatore Garcial (Editora Sulina, 2010), temos uma fascinante história sobre o desenho das linhas de fronteira seca entre o Brasil e o Uruguay. Um dos pontos altos dessa história é um episódio de contestação, por parte de uruguaios, da colocação dos marcos em uma região próxima a Santana do Livramento e Rivera. O marco que fotografei é o de número 49-1, construído em 1857. Algum tempo depois de sua construção alguns uruguaios, entre eles o coronel Carlos Vila Seré, questionaram a fronteira que o marco assinala. Ali fica a nascente do Arroio Invernada, que depois desemboca no Quaraí. Tau Golim conta e mostra no livro que existem mapas oficiais do Uruguai – não sei onde coloquei um que comprei para viajar por ali, para testar a informação – nos quais está escrita a expressão: “limite contestado”. O fato é que ali onde está o marco 49-1 ficam, frente a frente, duas vilas. No lado brasileiro, a Vila Albornoz, um aglomerado de poucas casas que foi instituído em 1985, pelo governo brasileiro, depois de Thomaz Vares Albornoz doar uma pequena área de terra. E no lado uruguaio, Massoller, igualmente pequena, ligeiramente mais bem cuidada. A placa de inauguração da Vila Albornoz, no governo de Jair Soares, está lá e é do tempo em que o presidente brasileiro era o General João Figueiredo. Dizem que a instituição da vila destinou-se a conter o assanhamento territorial dos uruguaios. Uma vez por ano o exército brasileiro faz ações sociais por lá, me disse um morador. O lugar já foi mais próspero, com dois postos de gasolina, um de cada lado. Hoje, no lado uruguaio corre a Ruta 30, asfaltada. No lado brasileiro, a estrada de acesso é muito ruim. Fiz os dois caminhos, mas estou longe de ter explorado minimamente as possibilidades de turismo de discórdia que o lugar tem. Em julho, no inverno, volto lá. O tema rende.
O album de fotos que fiz nessa viagem está aqui no Flickr.

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3 Responses to “O marco da discórdia”

  1. 1 Rafael Happke

    é Ronai, rende mesmo! isso é matéria pra Código Postal da NG, como já pessoalmente te disse…A discórdia tão perto da fronteira da Amizade…os paradoxos que se entrelaçam…baita abraço! Rafa

  2. 2 R

    Como diz o Anonymous Gourmet (temerariamente…), voltaremos!

  3. 3 Daniel Luís

    Eu gostaria de saber como se chega ao marco 49-1 e à Vila Albornoz… Eu adoro fazer turismo histórico!


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