Saí mal na foto, ontem. A matéria sobre Paulo Freire, no Jornal da Cultura, me deixou mal na foto, pois no final das contas fui, das três pessoas ouvidas, a única que passou por “crítico” de Paulo Freire. A matéria seguiu o padrão que já discuti: repete as “fake news” dos “300 trabalhadores rurais do Rio Grande do Norte”, e insiste em argumentos que são, no fundo, falácias de autoridade. Já abordei esse assunto aqui embaixo no blogue e não vou me deter nisso. Na fala de Sérgio Haddad, ao caracterizar o método de alfabetização, não há menção à consciência fônica; pode ter sido uma decisão do editor, mas isso diz algo sobre a forma de apresentar o “método”; a metáfora-guia da matéria é de tipo jurídico, pois o jornalista fala em acusação, defesa, advogados, provas, sacudindo a Pedagogia do Oprimido. Bom, então vamos discutir a Pedagogia do Oprimido! Mas disso ninguém quer falar! O comentarista principal, o jornalista Antonio Gois, fechou a matéria dizendo que “o problema é a qualidade das críticas”, que Paulo Freire é apresentado “como se fosse um doutrinador marxista”, que “é o brasileiro mais estudado no exterior” e que é preciso “elevar o nível da discussão”.

Como eu fui o único “crítico” que apareceu na matéria, fiquei, evidentemente, associado às críticas de baixa qualidade. Mal na foto da Cultura, bem feito, quem sabe assim eu volto a me dedicar à sociologia de lambreta.

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Um dos leitores que me restou no blogue acreditou no que escrevi na quinta-feira passada e ficou esperando a minha entrevista para o Jornal da Cultura. Reclamou que não saiu nada e aproveitou para me pedir mais explicações sobre essa história do Kennedy e o Paulo Freire. “Ele era assim tão importante para trocar um aperto de mãos com o cujo?” Explico as duas coisas, mas os detalhes da segunda delas vou deixar para amanhã, hoje é Domingo de Páscoa. A produção do Jornal me explicou que não deu tempo para a matéria ir ao ar na quinta-feira passada. Deve sair em algum dia dessa semana.

Eu não pude tratar do tema do Kennedy na entrevista, foi apenas uma conversa que eu tive com a produção, para tentar mostrar quanta coisa interessante há nesse período dos anos sessenta. Eu tinha apenas 12 anos quando essas coisas aconteceram e isso quer dizer que tudo o que eu sei é dos livros que li. Segundo eles a visita do Kennedy estava sendo preparada com detalhes: desembarque em Parnamirim na primeira quinzena de Dezembro, recepção dos vaqueiros devidamente trajados, translado para Angicos em helicóptero. Ele ia conhecer alguns matriculados no curso e confraternizar com as autoridades brasileiras; entre elas estaria Paulo Freire, que era o líder intelectual do projeto de Angicos, financiado com recursos da USAID – Aliança para o Progresso. O projeto era caro, pois envolvia projetores de slides importados, que podiam funcionar com baterias de 6 volts, kombis para transportar os monitores desde Natal, hospedagem, refeições, material didático, etc. Mas veio a bala de Dallas.

Não faltou quem criticasse Paulo Freire por aceitar o dinheiro dos americanos. Ele respondeu que o que interessava é que não haveria interferência nas metodologias e conteúdos. Paulo Freire tinha a seu favor o fato de estar vinculado a um grupo de intelectuais que notoriamente rejeitava o comunismo. Era tanta a separação que quando Luis Carlos Prestes ofereceu os préstimos do PC para os trabalhos de base no Recife, Germano Coelho, o líder do grupo, foi perguntar ao Bispo de Recife se podia aceitar essa ajuda.

A ajuda de Kennedy era dada em uma época na qual os americanos acreditavam que podiam fazer uma frente às influências da atmosfera criada por Castro, em 1959, em Cuba. O fato de Paulo Freire estar alinhado, em 1963, com a Aliança dá uma ideia da complexidade daquele momento. Tudo mudou muito e rapidamente, como se sabe. Mas hoje é Páscoa, travessia, volto a isso noutro dia.


A TV Cultura, de São Paulo, fez uma entrevista comigo hoje, para ir ao ar ainda hoje. Vai que. Depois do lançamento do Quando ninguém educa, a Globo gravou uma entrevista comigo para o Globonews Literatura e nunca foi ao ar. Sabe-se lá.

A produção queria saber o que acho do “método Paulo Freire”. Eu disse que não se trata, de certa forma, nem de um método, nem de Paulo Freire. Na verdade a coisa toda é o resultado do trabalho de um grupo de pessoas, no Recife, no começo dos anos sessenta. O que se chama de “método Paulo Freire” nasceu do trabalho do Movimento de Cultura Popular, no Recife, por meio de pessoas como Germano Coelho, Josina Godoy, Norma Coelho, Elza e Madalena Freire e, claro, Paulo Freire. Em 1963 o Movimento de Cultura Popular publicou a cartilha, o “Livro de Leitura para Adultos”, que é a primeira versão do método do grupo. Paulo Freire, por assim dizer, pegou o bonde ali e sugeriu o planejamento de um curso semelhante, mas sem a cartilha, e sim com o apoio de projetores de slides, que podiam funcionar com baterias de 6 volts. A cartilha era, de certa forma, projetada em uma tela. Tudo isso ficou muito caro, e aí entrou uma coisa que nem sempre se lembra, o trabalho foi financiado pela USAID, a Aliança pelo Progresso. John Kennedy só não apertou a mão de Paulo Freire, em Natal, porque foi assassinado. A visita de Kennedy ao nordeste estava sendo preparada para a primeira quinzena de Dezembro de 1963. Ele ia, entre outras coisas, visitar Angicos, onde Paulo Freire conduzia o curso de alfabetização. Kennedy ia apertar a mão de Paulo Freire!

Outra coisa que eu disse para a TV Cultura é que há um consenso, eu acho, que a originalidade do método de PF estava na energia com que os educadores se dedicavam a contextualizar a aprendizagem na realidade do aluno. Nesse sentido ele é atual. Acho até que diante das polêmicas atuais no MEC, as tais guerras de método, ele ficou ainda mais atual, pois ele nunca deixou de incluir como parte essencial da alfabetização a consciência fonêmica. Assim que a pessoa se familizarizava com a palavra geradora, “tijolo” ou “favela”, etc, havia uma fase intensa de conscientização fonética e aí vinha o ta-te-ti-to-tu.

Por outro lado Paulo Freire nunca se incomodou com as críticas de que ele não era original. Ele foi acusado de plágio e não se importou, rebateu a acusação escrevendo que, como dizia John Dewey, o filósofo e educador norte-americano, a “originalidade consistia no novo uso de coisas conhecidas.”

Então os procedimentos de contextualização e respeito à realidade do aluno são atuais, mas na verdade não são originais dele, essa tendência faz parte de uma vertente muito antiga da pedagogia. O que sempre pede uma adaptação muito cuidadosa é a forma como isso é feito em diferentes níveis etários. Uma coisa é quanto o professor trata com adultos, uma relação entre iguais. Outra coisa é com crianças. Um dos problemas com Paulo Freire não está na obra dele, e sim na forma como ela é lida e aplicada. Na Pedagogia do Oprimido, seu livro principal, ele não fala em crianças, a palavra escola aparece apenas cinco vezes e somente em uma o sentido é positivo. Nem havia escola pública no Recife, nos anos 50. 

Paulo Freire ajudou a criar, mais do que um método, um clima, uma atmosfera na formação de professores. Acho que foi uma combinação de elementos que trouxe um excesso de politização para o campo educacional. A escola era vista como reprodutora da ideologia dominante, a serviço da opressão, etc. Ficamos, nos anos oitenta, demasiadamente encantados com uma descrição sociológica da escola; em certo sentido essa politização, essa sociologização da escola fez com que ela perdesse a mística, o que ela representa de oportunidades, pelo ponto de vista do aluno. Assim, o questionamento principal que faço no meu livro, “Quando ninguém educa”, é sobre essa perda da mística escolar em função de uma politização excessiva.

A TV Cultura quis também saber o que eu penso sobre a “escola sem partido”.

O tema é complicado. Eu sou contra esse projeto de lei, claramente contra. Mas eu não abro mão de compreender as razões que levaram a esse projeto. Eu acho que, entre outras coisas, foi uma forma de protestar contra exageros que foram cometidos, nessa atmosfera que descrevi e que tem como uma de suas fontes uma certa forma de ler Paulo Freire. O “escola sem partido” é uma espécie de maoísmo invertido, que faz com que os alunos denunciem professores. Isso foi inventado por Mao Tse Tung na Revolução Cultural. Eu sou contra que um professor entre na sala de aula com o bottom do seu partido, qualquer que seja, para induzir a simpatia dos alunos. Infelizmente tem quem faça isso e essas coisas criam também a atmosfera para surgir essa demanda do “escola sem partido”. Precisamos profissionalizar nosso trabalho, de modo a evitar esse tipo de excesso de politização. A escola é um lugar político em um sentido muito amplo, que não pode ser emprestado para a política imediata. 

Foi por aí que eu dei a entrevista. Vai saber o quê irá ao ar. Se é que não vai ser de novo como fez a Globo. As vezes eu me sinto como o Chacrinha, eu quero mais é confundir quem acha que tudo já está explicado!


Tem dias que eu acho que a gente deveria levar a sério esse tema da inspiração comunista. Será mesmo impossível que a gente seja uma coisa x sem saber? Tipo assim, você nunca pensou que era uma pessoa hipócrita, até o dia em que fez de conta que não sentiu o que sentiu e teve que disfarçar até para si mesmo, e aqui tanto faz ser a defesa do amor universal e recusar uma ajuda ao próximo em nome do empreendedorismo ou do empurrãozinho na revolução.

Fiquei lembrando do Paulo de Tarso, Eu acho que o cristianismo foi, entre muitas coisas, um passo a mais na caminhada da humanidade no rumo de mais autoconsciência, quando tematizou, por meio de Paulo, as ambivalências humanas. Ele disse que nem sempre o que fazemos coincide com o que queremos. Tipo assim: a gente faz besteira sabendo que está fazendo besteira e faz assim mesmo. Esse famoso tema de Paulo faz com que os cristãos estejam, de algum modo, preparados para compreender que nem sempre a nossa identidade cristã seja cristal, transparente, puro; mais ainda, dada a pervasividade do cristianismo, a humanidade preparou-se aos poucos para entender que a auto-transparência é conversa fiada.

Bolsonaro, por exemplo, poderia um dia descobrir que tem uma afinidade com o comunismo. Imagine que um dia ele pensasse assim: “eu estudei, quando criança, em uma escola pública e gratuita e gostei.” E imaginem mais, que ele dissesse ainda que é de opinião favorável a que a educação pública e gratuita deva estar ao alcance de todas as crianças. Não seria um pensamento razoável? Nesse momento, Bolsonaro, sem saber (por hipótese, claro!), estaria preenchendo um dos requisitos para ser comunista. Ele estaria (como eu e você, quem sabe), sendo comunista, porque esta é, sem tirar nem por uma vírgula, a décima medida prevista pelo Manifesto Comunista de Marx. Cito:

“10. Educação pública gratuita de todas as crianças. Eliminação do trabalho das crianças nas fábricas na sua forma atual. Unificação da educação com a produção material, etc.”

Se levamos o Manifesto Comunista a sério, aqueles que defendem a educação pública gratuita preenchem ao menos um dos predicados para ser um comunista. Bem, aqui surge outro tema fundamental na tradição cristã: quantos pecados você precisa cometer para ser um pecador? Umzinho só conta? Acho que nesse ponto a Professora Millikan diria, se você não sabe a definição científica de água isso não quer que você é incapaz de reconhecê-la.

Eu estava pensando em escrever um pouco sobre a Professor Millikan, sobre filosofia da linguagem, sobre o que é definir, conceituar, identificar. Mas me saiu essa peça porque eu fiquei pensando (obrigado, Prof. Bressan) no que a Ana Maria Freire disse, que Paulo Freire não era comunista.

Pois eu acho que ele era, ele defendia o ensino público e gratuito. Mas aí me dei por conta que o Bolsonaro também poderia ser comunista, que a maior parte da minha família e dos meus amigos é comunista ou simpatizante. Algum encaminhamento para essa situação estranha poderia surgir se a gente discutisse um pouco mais sobre teoria dos conceitos e definições e se a gente lesse um pouco mais, por exemplo, o cujo Manifesto. Mas aí daria um trabalho, né!


O Vitor me chamou a atenção hoje para a grande quantidade de postagens sobre Paulo Freire, dentro do padrão que vem se firmando: como o doutrinador responsável pelo estado lamentável da educação brasileira ou como um dos maiores pedagogos do mundo, injustamente atacado pelos setores atrasados da sociedade.

Escrevi para ele agradecendo a indicação que ele me fez de algumas postagens, e cheguei a pensar em tentar mais uma intervenção. Foi quanto me dei por conta que não interessa a nenhum dos lados trazer a conversa para o mundo dos fatos e da história. Estamos no meio de uma guerrinha cultural e nela duas coisas pouco importam: uma boa vontade para com os fatos e um cuidado com o jeito como argumentamos. O grande argumento de defesa de PF é, de fato, um argumento de fundo sociológico e de autoridade, os títulos honoríficos que recebeu. Isso não deveria comover muito a gente. Eu acompanhei o Honoris Causa para Paulo Freire, dado pela UFSM. A proposta foi feita no Conselho Universitário por um admirador seu, o Prof. Walter Robinson. Todos concordaram. Paulo Freire veio a Santa Maria e fez um discurso em uma sala cedida pelo Padre Lauro Trevisan, onde hoje funciona uma academia de musculação . Ele fez um discurso para umas oitenta pessoas e foi isso. Em Oxford, a Professora Anscombe ficou furiosa e protestou publicamente contra a outorga do Honoris Causa para Truman. Os títulos honoríficos as vezes são assim mesmo, pequenos jogos de poder. Aqui, se alguém não gostou do Honoris para Freire, ficou quieto na época.

Falando em história, lembro de duas que tem a ver com aquelas eras. A mais antiga é a da foto acima, que traz o Reitor Mariano confraternizando com Jango. Ela consta de um livro que Mariano fez sobre a UFSM. Depois do golpe militar, ele ficou muito preocupado com a foto, mas o livro já havia sido distribuído. Alguns auxiliares mais zelosos recomendaram, na época, que a foto fosse retirada. Mas era tarde. A outra é mais atual, do começo dos anos oitenta. Um dos atuais ministros do governo Bolsonaro era, na época, um marxista convicto. Ele ouviu falar que eu tinha algumas leituras críticas sobre o tema (eu estava lendo Castoriadis naquele tempo) e me convidou para uma conversa comprida. Atravessamos uma madrugada de cervejas e bate-bocas, na qual ele tentou me desmontar. Não deu muito certo. Acho mesmo que aconteceu o contrário, pois com o passar dos anos ele abandonou o marxismo. Hoje é ministro do Bolsonaro. Não adianta me perguntar que não vou dizer quem é.

No confronto com os fatos e com a vida a gente pode mudar. Mas é preciso dar bola para os fatos. Afinal, quantos e quem mesmo eram os alunos matriculados no tal do curso de alfabetização de Angicos?


Esfihas

15abr19

Estávamos com fome. Achamos um pequeno restaurante que servia comida árabe ou algo parecido. Pegamos uma mesa na calçada, pedimos esfihas e cerveja. Um amigo, B, chegou logo depois e também pediu esfihas para levar, pois queria descansar cedo, no hotel em que estávamos ali perto. Foi quando um rapaz me abordou, supetão, dizendo que estava com fome, com muita fome, se eu podia pedir algo para ele. Eu disse que sim, que ia pedir algo para ele, que sentou-se a uns metros de distância, esperando e esperando. Tentei chamar o garçom para fazer o pedido para mim e para o moço mas não deu certo. A conversa ia e vinha, nada do garçom e eu via o moço cada vez mais impaciente me perguntar sobre a comida, eu disse que tudo bem, garantido, ia pedir, o garçom não tinha vindo ainda. Foi aí que entendi que a gente tinha que primeiro pagar para então comer. Fui ao caixa, paguei as minhas esfihas e mais quatro para o rapaz. Voltei para a mesa e dali a pouco chegou a encomenda do meu amigo, uma caixa com quatro. A conversa seguiu, o moço voltou para saber se afinal, a fome seguia e era de verdade. Foi ali que meu amigo ficou sabendo do tamanho da vontade de fome do moço e prontamente entregou para ele a caixa que ia levar para comer no hotel.

Agora conto o resto. B tinha sido meu colega de ginásio e eu não o via por décadas. Estávamos em um encontro meio improvável, numa pequena cidade do interior do Paraná, pessoas que não se falavam por quarenta e tantos anos. As diferenças que se abriram entre nós nessas décadas eram imensas. A maioria pisava em ovos, era véspera de eleição. Descobri aos pouco que a maioria se preparava para votar em Bolsonaro. B era um deles. A gente dava um jeito de não falar muito em política, mas eram evidentes as preferências e, mais ainda, os desconfortos. Eu passava por um simpatizante pois tinha publicado Quando ninguém educa e era apresentado às vezes como o autor do livro que “questionava Paulo Freire”.

Quando ele entregou a caixa de esfihas para o rapaz com fome, aquilo meio que me desconcertou, como se eu não pudesse deixar de ver que a naturalidade do gesto dele não combinava com o que eu esperava de um simpatizante do candidato que não era o meu. Acho que eu esperava que ele dissesse que o sujeito era um vagabundo que não merecia nossa caridade. Aí B nem pisca e entrega para ele uma caixa de esfihas. Me desconcertou, admito.

O tema é muito complicado, paro aqui na descrição do que me aconteceu lá, pois eu acho que estou falando de coisas que a maioria das pessoas vivenciou. Quem não teve entre seus amados e queridos alguém que estava do outro lado do muro do ano passado? Nem o querido verdureiro da esquina, nem o taxista favorito? Que bolha, então?

Não sei bem o que fazer com isso. O caso é que ontem vivi outro episódio com esfihas e aí pensei que gostaria de trocar ideias sobre esse causo com os dois leitores que me sobraram nesse blogue. Conto amanhã.


A História, meio que desprezada: agora são os 400 de Angicos.

Dois leitores desse blog, DB e GS, me contaram, faz pouco, de um artigo sobre Paulo Freire na Folha de hoje(14.04.19). Trata-se de uma matéria assinada por Sérgio Haddad, sobre PF como “alvo de ataques” pelo olavobolsonismo. Haddad vai lançar, pela Editora Todavia, uma biografia de Paulo Freire, ainda esse ano. Quando fiz a postagem, ontem, obviamente eu não conhecia esse texto. Assim, li com muita curiosidade para ver a explicação que Haddad oferece para o fato que a Folha apresenta assim: “como o principal educador brasileiro (…) passou a ser visto como inimigo público e responsabilizado por maus resultados educacionais no país”.

Ele disse, no final das contas, que as críticas a PF não se sustentam porque são opiniões “proferidas por setores atrasados”, que “não reconhecem no educador (…) um interlocutor consagrado e respeitado”. Mas isso é explicação ou olavobolsismo invertido? O escrito de Haddad repete o padrão expus ontem: o cenário de origem de PF é descrito pobremente e com afirmações destoantes de tudo o que se sabe. Haddad fala agora em “400 jovens e adultos” no curso de alfabetização do Rio Grande do Norte. Hadadd passa batido pelo fato que PF não desprezava a consciência fônica na alfabetização, o reconhecimento internacional é exagerado, etc. E na hora agá da explicação Haddad diz que as críticas a PF vem de “setores atrasados”. Se a biografia do Freire pelo Haddad vier nesse tom, todavia ainda não teremos uma narrativa à altura da fama do alvo dos ataques.

Obrigado, DB e GS. Sem querer puxar muita brasa para meu lambari, eu diria que Quando ninguém educa saiu-se melhor na descrição da atmosfera que nos levou a isso que estamos vendo, mesmo tendo sido escrito no final de 2015. Acho também que não foi por acaso que alguns “setores progressistas”, como diz o Haddad, não apenas não gostaram do meu livro mas tentaram impedir sua publicação. Eu já reclamei para a Folha (veja a postagem um pouco abaixo) sobre a simploriedade dessas abordagens. Mas pelo jeito é desse jeito mesmo que os “ataques” e as defesas vão seguir.




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