image001.png Quando ninguém educa; questionando Paulo Freire, o livro que escrevi em 2016 sobre pedagogia, currículo e formação de professores, está disponível, a partir de hoje, no sítio da Editora Contexto:
http://editoracontexto.com.br/quando-ninguem-educa.html
No local acima está disponível o sumário e a introdução. Aproveito o dia para agradecer a todos que me acompanharam nesses meses de escrita e espera de julgamentos. Em especial, quero agradecer aqui a acolhida que tive na Editora Contexto.

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Captura de Tela 2017-05-31 às 16.23.11
Na semana passada aconteceu em Vale Vêneto um pequeno evento na área de Filosofia, ali no prédio dos Padres Palotinos. O ponto central do evento era o debate do texto de Max Weber, A Ciência como Vocação. Abaixo de chuva e frio, o que nos esquentou foi a conversa e o vinho. Ficou claro para nós que, cem anos depois, o texto de Weber ainda dá o que pensar e circula entre nós nas mais diversas mãos. Uma passagem dele está sendo invocada, por exemplo, pelo movimento “escola sem partido”. Fiquei pensando sobre a brutal atualidade e importância da conferência que é gêmea dessa, A política como vocação. Foi dela que me lembrei, faz 22 anos, quando surgiu um dos primeiros debates sobre o comportamento ético e político da esquerda brasileira. O debate envolveu José Genoíno e Cézar Benjamim.
Cézar havia se desfiliado do PT em alto estilo. Ele havia publicado um artigo na Folha, no qual acusava o PT de passar por uma crise ética, na medida em que aceitava e praticava condutas semelhantes aos demais partidos, em especial aceitando financiamentos de campanhas por empreiteiras. Genoíno, em resposta, na mesma Folha, (31.08.95, Qual é a crise do PT?) sustentou que a crise do PT não era de caráter ético, e sim de natureza política. A partir de um mote weberiano, Genoíno argumentou, contra Benjamim, que a política não podia ser confundida com a ética, mas que nem por isso ela era desprovida de valores. Nada mais weberiano do que isso. Essa observação foi feita junto à outra: “Na concepção da esquerda tradicional sempre imperou a máxima de que os fins justificam os meios”, e deveríamos deveríamos ver, contra a “esquerda tradicional”, que “fins e meios devem estar de acordo, que somente determinados meios podem ser legitimados pelos fins”. No final do artigo essa singela crítica da esquerda curvou-se levemente, pois ele termina o artigo dizendo que “deve-se abandonar no PT a presunção de que exista um partido único portador da verdadeira moralidade. Nem a esquerda é santa e nem o PT está corrompido”. Mas isso faz muito tempo, vinte e dois anos.Hoje o que mais se ouve são as vozes do silêncio. Vou aproveitar essa quietude de santos para reler A Política como Vocação.



Dias atrás tive uma conversa com o Athos, na Cesma, sobre os curiosos destinos e caminhos de nossa geração, especialmente sobre a forma como lidamos ou não com a crise das esquerdas nos anos oitenta.
Conversa vai, leitura vem, tirei da estante um livro de Merleau-Ponty sobre algo parecido. Fiz umas notas, caro Athos, um dos poucos leitores que me restam nesse abandonado blogue, vai aqui.
Merleau-Ponty, em um texto de 1960 (o prefácio de Sinais) fez uma espécie de balanço sobre as relações entre filosofia e política; aproveitou também para avaliar a atitude de engajamento que caracterizou boa parte de sua geração. No núcleo do escrito está a discussão das relações entre filosofia e política. Os filósofos falam muito sobre política, diz ele, traçam sobre ela sábias perspectivas, mas os afetados por elas parecem não prestar atenção nisso; porque será, pergunta MP, que os filósofos tem tanta dificuldade em admitir que simplesmente não sabem do que se trata? Há uma verdadeira “mania política entre os filósofos” e isso não produz nem boa política, nem boa filosofia.
De um lado, os filósofos inflacionaram a política com cóleras santas, com os problemas do ser e do nada, com uma imensa carga metafísica sobre “dialética” e “história”; o combustível dessa inflação, no entanto, é apenas a magra álgebra da filosofia. Como seria possível tirar de nossos esquemas simples, desse “centro metafísico”, pergunta ele, “a reassunção total das origens humanas num futuro novo, a política revolucionária?” O que ocorreu, com o passar do tempo (MP escreve no momento do fim da guerra fria e do começo da paz quente) foi uma permuta de vícios:
“Em vez de unirem as suas virtudes, filosofia e política estabeleceram desde então uma permuta dos próprios vícios: seguia-se uma prática ardilosa e um pensamento supersticioso”. (12)
O que se imaginava é que coisas como a dialética, a revolução e a história universal estivessem presentes em uma votação no parlamento, em um desenho de Picasso, este “magro espécime”. Devemos então, continua, promover o rompimento entre filosofia e política? Assim como nos casamentos, há boas e más rupturas e não seria o caso de que os dois devam ser abandonados em suas misérias. Muito menos seria o caso do divórcio falhar apenas em desfavor da filosofia, ele acrescenta.
É nessa altura que Merleau-Ponty dá seu adeus aos amigos que ainda se referiam ao marxismo como um pensamento “verdadeiro”:
“Dizemos que com os acontecimentos dos últimos anos, o marxismo entrou decididamente em uma nova fase da sua história, na qual pode inspirar e orientar análises, conservar um sério valor turístico, mas na qual já não é decerto verdadeiro no sentido em que se julgava verdadeiro (…).” (16)
Há quem pense que os únicos modos da existência intelectual sejam o verdadeiro e falso e contra isso ele diz que a história do pensamento opera de outra forma, pois alguns autores e obras viram “clássicos”, que falam para além de seus enunciados. São os livros que não tomamos mais ao pé da letra, mas cuja letra, de alguma forma nos ajuda a pensar os fatos novos. “Dizemos que Marx está em vias de passar a esta verdade segunda”.
Não é pouca coisa pensar assim. O cúmulo da arrogância filosófica era praticado por aqueles para quem o marxismo era “a operação da história posta em palavras”, e assim passaram a ser objeto de troça, pois pretendiam que “o ‘processo histórico’ passava pela sua mesa de trabalho.”
Ao dar esse adeus ao marxismo, em 1960, Merleau-Ponty comprometia-se com uma agenda de filosofia que não encontrou eco entre seus pares. Hoje a gente pode pensar que foi pior para eles. Hannah Arendt escapou disso, leitora atenta do francês.
Estamos em Maio de 2017, o tempo está feio, a tarde está fria. Deixo aqui um abraço ao Athos e aos outros nove leitores que ainda me restam. Fica aqui registrado esse modesto fichamento das reflexões do francês sobre a política como tragédia. Ou seria o contrário, sobre a tragédia como política?


Captura de Tela 2016-11-24 às 11.28.29.pngO Reitor da UFSM, ao comentar as ocupações e as tensões surgidas nos últimos dias em um vídeo feito pelo Sedufsm, mencionou algo que não deveria passar desapercebido. O comentário dele introduz no debate um tema que até o momento não foi objeto de discussão aberta. Em um certo momento de sua fala ele faz um elogio das mudanças ocorridas nos últimos anos na universidade na direção de “uma universidade inclusiva, que trouxe para dentro da universidade a diversidade, os pobres, os negros, os indígenas, como cidadãos e cidadãs com os mesmos direitos que toda a população brasileira. Talvez isso esteja incomodando alguns setores”. A fala dele é muito mais enfática do que parece na minha transcrição.
Eu não tocaria nesse tema não fosse o fato desse enfoque do Reitor já ter aparecido em outras manifestações públicas dele e, o que é mais relevante, ela surgir com força no meio de um manifesto em prol de distensão e paciência no campus. Pois o que chama a atenção é que, tanto quanto sei, as motivações abertas para ocupar ou desocupar o campus é o posicionamento quanto às medidas governamentais, em especial quanto à PEC 55. O que poderia ligar a questão da presença de “pobres, negros e indígenas” aos protestos contra a PEC? A questão é relevante pois ela surge com naturalidade na fala do Reitor, que insiste em mais de um momento no tema da “inclusão e respeito à diversidade”.
As disputas travadas no campus seriam então mais complexas e profundas do que sonham nossos protestos? Eu não tenho alternativa a não ser pensar que sim. Levando a sério as observações do Reitor (e por quê não as levaria?) há mais do que protesto contra a PEC nas ocupações. Haveria uma discussão sufocada, um tema de corredores, um “sobre isso não se fala” que explodiu. Seria, precisamente, sobre as formas de recepção dos “pobres, negros e indígenas”. Quais foram as medidas curriculares, pedagógicas e avaliativas que a universidade tomou sobre isso? Quais foram as formas de preparação de cada um de nós, professores, para lidar com as políticas de inclusão? Elas oscilaram apenas entre os dois extremos, o da recusa silenciosa e da aceitação improvisada? Eu escutei a fala do Reitor como uma explosão de desabafo perplexo; desabafo, porque nunca teria havido uma discussão e medidas razoáveis sobre o tema; perplexo, porque trata-se de mais um daqueles processos em que cada um de nós ocupa um papel, nem sempre dos mais brilhantes. Afinal, há ou não uma discussão de corredores, – e conflitos abertos em sala de aula – em muitos cursos da universidade sobre os “cotistas”?
Chama-me a atenção o fato de que os lemas das ocupações sejam, tanto quanto sei, de tipo nacional: contra a PEC, contra as reformas de ensino, contra Temer. Parece haver pouco espaço para esses temas mais espinhosos: quais as mudanças esperadas no cotidiano da universidade, quando temos no horizonte uma estatuinte? Quais as medidas de aperfeiçoamento da inclusão, se há conflitos que se escondem por detrás de uma “cortina de fumaça”, como afirma o Reitor? Haveria, nas ocupações, algo mais do que o alegado protesto contra a PEC? Isso parece ser evidente, mas é bem possível que o Senhor Reitor siga falando sozinho. E isso é uma lástima, pois, se ele tem razão (e me parece ter alguma), seguiríamos varrendo para baixo do tapete alguns males que podem muito bem ser melhor tratados.
Eu não concordo com a estratégia de trancar a única entrada de edifícios onde centenas de pessoas estudam e trabalham. Mas isso não me impede de ver que há algo mais nos céus do campus do que os helicópteros da Base Aérea. Mas sobre essas coisas escondidas por nuvens de fumaça parece que é muito difícil falar e assim, no final das contas, não me surpreendo muito.

(A ilustração é de Barbara Kruger, “Por que você está aqui?” fotografia e tipo sobre papel, 1991.)


captura-de-tela-2016-11-21-as-20-39-21Hoje pela manhã um juiz federal determinou que o Reitor da Universidade de Brasília providencie o fim das ocupações; se necessário, diz o despacho, seja providenciado o uso da força policial. Aqui na Boca do Monte alguns estudantes e professores entraram com representações junto ao Ministério Público e, no limite, algo parecido ao que se passa na UNB pode acontecer aqui.

O caso me faz lembrar um episódio em tudo semelhante, que envolve um nome importante da filosofia crítica alemã do século XX, Theodor Adorno. Vou resumir em duas ou três frases uma longa história, que posso detalhar depois. Adorno, junto com Jurgen Habermas, estava conduzindo um seminário de sociologia em Frankfurt. Na época (Janeiro de 1969) a Alemanha, na esteira do Maio de 68 francês, travava intensas discussões sobre reformas no sistema universitário. Os estudantes, muito mobilizados, fizeram diversas ocupações (também na esteira das ocupações que ficaram famosas na Califórnia, motivadas não apenas por temas universitários, mas pelo clima de protestos contra as convocações para lutar no Vietnã) e uma delas inclui o prédio onde funcionava o seminário liderado por Adorno. Adorno e seus colegas de instituto declararam então que a ocupação era, na verdade, “uma invasão e chamaram a proteção policial”. Eles escreveram e divulgaram uma longa justificativa, que terminava dizendo que não tinham outra alternativa que não essa, para “resistir à todas as tendências autoritárias e igualmente aos atos de violência pseudo-anarquistas levados a efeito por ativistas ostensivamente da esquerda, tanto quanto às ações cripto-fascistas de grupos na extrema direita.”
Como estou impedido de continuar com minhas aulas de História da Filosofia Contemporânea, fico com vontade de seguir por aqui contando essas histórias de quando um dos maiores frankfurtianos chamou a polícia para poder continuar com seu seminário. Ela é mais comprida do que contei e pode servir de consolo para nosso Reitor, Professor Burmann. Se ele tiver que chamar a polícia, saiba que um dos filósofos mais ilustres do século passado, incensado por muita gente  boa até hoje, já fez isso sem piscar.


captura-de-tela-2016-11-20-as-11-42-48Tendo em vista a repercussão um tanto negativa de minhas observações sobre os senhores das moscas, mais devida aos defeitos de minha exposição do que qualquer outra coisa, gostaria de explorar outros caminhos para pensar um pouco mais sobre o movimento estudantil no município de Santa Maria. Desde logo quero dizer que nada mais posso fazer do que escrever a partir de uns poucos fatos e notícias que conheço e que isso, para meu gosto, está muito longe de ser de grande valia. Haveria, antes de uma escrita dessas, muito trabalho empírico para sociólogos, antropólogos, historiadores, etc, pela frente: quem, onde, como, em quais circunstâncias, mas isso está por ser feito e eu nada posso fazer a não ser anotar aqui algumas especulações a partir do vejo no jardim.
Volto, no entanto, por um momento, ao mote que me levou aos senhores das moscas, a saber, a decisão inicial, na imensa maioria das ocupações de escolas por secundaristas, de elaborar um conjunto de regras; elas dizem respeito tanto ao modo de funcionamento no interior da ocupação (seja na criação de equipes responsáveis por limpeza, segurança, comida, atividades, etc, seja quanto à forma de funcionamento das assembléias e decisões) quanto às formas de relacionamento da ocupação com o exterior; aqui se destacam dois aspectos, a decisão pela despersonalização da liderança (não há um líder, um responsável único) e o controle do acesso do público externo, em especial da imprensa, para que haja alguma forma de controle das imagens da ocupação.
Quando comparei as ocupações com o texto de Goulding, tinha em vista essa questão do provimento das regras, pois isso me permitia olhar de forma mais clara para as formas de institucionalização ali providas. Por outro lado, ligado a isso havia a questão da submissão voluntária dos ocupantes a um período relativamente longo e incerto de provações de tipo físico e espiritual. E isso me sugeriu que as ocupações poderiam ser vistas, em primeira e terceira pessoa, como um tipo de prática de ideais ascéticos. “O que significam ideais ascéticos?” é a pergunta que Nietzsche faz na terceira parte da Genealogia da Moral e sua resposta é complexa. Mas a essência dela parte do reconhecimento que criaturas humanas não sobrevivem sem algum ideal ascético, pois não podemos viver sem objetivos e isso nos custa, às vezes e em alguns casos, muito! Deixo o tema aqui, daria um livro, mas esse já foi escrito pelo Nietzsche, que o leitor vá até ele.
O que quero anotar aqui – pensando em voltar algum dia ao tema – é apenas isso: o que aconteceria se tomássemos ao pé da letra, por um momento, uma das frases mais repetidas pelos secundaristas, a saber, que o movimento não é partidário? Se levarmos essa sério a frase, se a combinamos com o fato da ocupação, pelo aluno, de sua escola, se combinamos essas duas coisas com o que sabemos sobre a situação de crise da escola pública média no Brasil, e se combinamos tudo isso com o fato dos estudantes não se reportarem nem ao futuro nem à sobrevinda de uma escola ideal, mas de exigirem algo no aqui e no agora de suas escolas, não teríamos nisso a medida mais terrível de nossa crise educacional? Pois o que temos, num estado como o Rio Grande do Sul, é a falência do próprio estado, é a incapacidade do Estado de honrar o décimo-terceiro salário dos professores e dos servidores em geral, e isso significa a decomposição ainda mais acelerada dos serviços públicos e da escola pública. Enquanto isso os progressistas lambem as feridas e promovem protestos no atacado, sonham com a recomposição das frentes de esquerda, sonham com um futuro melhor e diferente. Eis o que me chama a atenção nas ocupações dos secundaristas, deste ponto de vista especulativo: parece que são os únicos que estão percebendo que não há futuro, não no sentido de um fim dos tempos, mas que a única política possível nessa hora é aquela que deixa de falar do futuro, que abandona a conversa da revolução para poder encarar a cara feia do presente. A impressão que eu tenho dos secundaristas é que eles não se deixam levar pelo “discurso da história”; são meio drummondianos, ligados ao “tempo presente, os homens presentes, a vida presente” e não foram contaminados pelas ilusões de paz e perfeição contidas nas promessas dos partidos que se pretendem progressistas. Há algo ali naquelas colinas, mas não é fácil de entrever.


captura-de-tela-2016-11-16-as-21-36-08O escrito aqui embaixo, sobre os senhores das moscas fez com que alguns amigos ficassem meio desconfiados comigo. Alguns acharam que exagerei nas tintas, que não descrevi corretamente as coisas ou que faltei com solidariedade à gurizada ocupante e meio que pisei na bola, pois a causa, no final das contas, é justa. Só faltou alguém me cobrar que eu mesmo assinei o manifesto de professores do meu departamento contra a PEC e a medida provisória da reforma do médio. De fato assinei e assinarei de novo, se me pedirem. A PEC, uma vez aprovada, me parece o marco de uma nova etapa na qual, no fim, não morreremos, mas vamos sim passar muita fome. A Reforma nos vem garganta abaixo, decidida no afogadilho de mandato, em medida provisória patrocinada por governo ainda mais provisório, que devia ter tido a grandeza de continuar o debate por meio de projeto de lei, que havia desde 2013 com o mesmo objetivo.
Isto posto, volto ao município de Santa Maria, limites do que escrevo, eis que este é apenas um blogue municipal. Se os ocupantes levaram a sério os sentimento de repúdio à PEC e ao governo, eu levei a sério o sentimento de vários amigos meus que sofreram os constrangimentos que relatei. Eles não foram inventados por mim e poderia ter contado vários outros que incluiram gestos como o de puxar pelo braço uma querida amiga, professora, que só queria saber porque não podia entrar no prédio onde tinha aulas. Querem o nome, a hora, o local? Não é o caso. Em homem e em mulher não se toca sem consentimento, pensei que fosse esse o mantra.
Revisando: a causa é boa, o movimento é sexy, mas não dá para copiar a ideia dos secundaristas sem recontextualização. Quando os secundaristas fecharam as escolas, os professores estavam em greve, e, tanto quanto sei, os colegas de magistério estadual não costumam ir, nas escolas, para suas salas de trabalho. Tanto quanto sei, na imensa maioria das escolas estaduais, há apenas uma sala de professores e eles não costumam ficar na escola quando não estão em aula ou em reuniões. Tampouco há laboratórios de pesquisa, etc. Assim, há uma transposição ao menos arriscada de métodos de “ocupa” quando passamos do secundário para as universidades. São coisas diferentes, com repercussões diferentes, e etc.
Mas a importância dessas coisas empalidece diante do que, no meu juízo, está por vir, no capítulo das ressacas dos enfrentamentos que aconteceram – impedimentos, derrotas eleitorais, fragmentação brutal dos movimentos, a maré montante de conservadorismo de todo tipo e feitio – e que, ao que parece, apenas estão começando. Esse tema, no entanto, é muito longo, fica para outra hora. Quero apenas dizer, mais uma vez, que não deveríamos desperdiçar a boa energia da universidade brigando entre a gente por detalhes básicos como poder ir e vir no local de trabalho. Mas estamos, infelizmente, nessa coisa de não poder cuidar das moscas, da capela, negociando no varejo a realização de concursos e seleções de professores e muito mais.  Esse vazamento de energia vai nos fazer falta, logo ali, eu acho. Não precisávamos desperdiçar tanta força que vai nos fazer tanta falta, pois não há conflito categorial entre protesto e aulas, só isso. Ou há?




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