Amanhã, dia 02 de julho, quinta-feira, às 18h30min, tem palestra do Prof. Ernildo Stein, no prédio da Antiga Reitoria. Trata-se de uma promoção do CCSH, que combina a palestra (”Mudanças na Antropologia Filosófica”) com o lançamento do livro “Antropologia Filosófica – Questões Epistemológicas”, recentemente publicado pela Unijuí. Até lá!
Junho 25, 2009
Para onde vamos
Em uma universidade ao sul do Equador, uma de suas unidades queria, como se diz, “democratizar-se”. Para isso, decidiram que o dirigente da Unidade, que precisa, segundo a lei de Zilbra, ser nomeado pelo Rei-tor da universidade a partir de uma lista tríplice (todos os democratas candidatos são funcionários públicos da federação de Zilbra) deveria ser pesquisado por meio de uma Comissão de Pesquisa de Tendência de Interesse. O Conselho dirigente da tal unidade nomeou uma tal Comissão de Pesquisa de Tendência de Interesse. A tal Comissão de Pesquisa de Tendência de Interesse pesquisou a tendência de interesse da comunidade do tal centro. E informou o resultado ao conselho dirigente. E o conselho dirigente informou ao reitor o resultado da pesquisa.
Esses procedimentos são chamados, ao sul do equador, de “democracia”.
Quem duvidar, que consulte as portas da uni-dade.
Comissão de Pesquisa de Tendência de Interesse!!! Como diria aquele apresentador da Rede Bobo, é fantástico!
O que não se faz em Zilbra para driblar as leis!
Junho 25, 2009
Pior que falta de vergonha (2)
Na manhã do dia sete de abril de 1986, na sala 07 do CCSH, o Conselho do Centro reuniu-se, sob a presidência da então diretora, Profa. Darcila Castelan para uma reunião extraordinária. A pauta da reunião era receber e decidir sobre o resultado da consulta feita à comunidade do Centro, para constituir a lista para a nomeação do próximo diretor do Centro.
Na Consulta feita à comunidade, havia vencido o nome do Prof. José Antônio Fernandes.
Os conselheiros elaboraram a lista.
O primeiro nome era o do Prof. José Antonio Fernandes.
O segundo nome era o do Prof. Silvestre Selhorst e por aí foi a lista.
O Prof. José Antonio Fernandes foi nomeado e tornou-se o primeiro diretor do CCSH a ter seu nome aprovado em uma consulta da comunidade. Outros se seguiram.
É assim que ficamos: a Comixão escreve o que quer e ouve o que não quer.
A Comixão Consultiva não conhece bem a história da UFSM e fala de coisas que não sabe.
Junho 24, 2009
Um pedido
“Na UFSM, por exemplo, no CCSH (Centro de Ciências Sociais e Humanas) a escolha da direção, ainda, não é feita pela consulta direta aos estudantes, servidores técnico-administrativos em Educação e docentes.”
Esta foi a frase da nota da Comissão.
Peço aos autores da nota que me informem a forma de escolha dos ex-diretores do CCSH:
1. José Antonio Fernandes, de julho de 86 a julho de 90.
2. Roberto da Luz, de setembro de 90 a setembro de 94.
3. José Odim Degrandi, de setembro de 94 a julho de 95.
4. Antonio Carlos Lemos, julho de 95 a setembro de 99.
5. Ronaldo Morales, de outubro de 99 a dezembro de 2003.
6. João Manoel, de dezembro de 2003 a dezembro de 2005.
E se um deles, ao menos, tiver sido eleito pela comunidade, como ficamos?
Junho 24, 2009
Pior que falta de vergonha é falta de memória
Em 1981 foi feita a primeira eleição para reitor na UFSM, promovida pelas entidades representativas dos estudantes, professores e servidores. A entidade representativa dos professores era a APUSM. O Conselho Universitário deu um tucufum para a eleição e nomeou quem bem entendeu.
Em 1984 as entidades fizeram nova eleição para reitor e novamente pressionaram os conselheiros. Daquela feita a pressão foi maior e mais bem organizada e assim, depois de meses de puxa e afrouxa, foi nomeado reitor da UFSM o Prof. Gilberto Aquino Benetti.
Naquele tempo não existia Sedufsm. A entidade representativa dos professores era a Apusm.
Esse é o começo da história.
Naqueles tempos não havia essa relação de compadrio entre o Conselho Universitário e as entidades. Era no berro mesmo. Assim, vamos nos ater aos fatos. As conquistas daquele tempo não eram feitas no ar refrigerado dos gabinetes, como foi essa tal “conquista” do voto paritário. Pior que falta de vergonha é falta de memória. Desde quando meia dúzia de almas, tomando cafezinho, fazem conquistas?
Pior que falta de vergonha é falta de memória.
Acho que foi o Capistrano de Abreu quem disse isso.
Fique registrado isso, para que o leitor entenda a minha crítica à nota das entidades sobre as eleições, que postei abaixo. A nota da Comissão contém inverdades, para começar.
A UFSM tem um Curso de História, não?
Junho 21, 2009
Propostas
Na semana passada eu dei uma entrevista ao Infocampus (veja abaixo) criticando o atual processo de escolha de reitor. Junto com o mestre Guina e de mais alguns excêntricos leitores do blogue e outros, tenho defendido o abandono do atual sistema e sua troca por um sistema que preserve a maioria do voto docente.
Isso seria ainda um escândalo perto dos critérios hoje vigentes na USP, considerada a melhor universidade no Brasil. O Renato Janine Ribeiro, professor de Filosofia na Usp, rematou o artigo dele na Folha de hoje com o seguinte trecho:
“Na comunidade acadêmica, muitos não aceitam eleições diretas. Vários bons pesquisadores prefeririam um sistema que funciona bem, fora da América Latina: o do comitê de busca que entrevista os selecionados e, em razão de seu currículo e de seus projetos, escolhe o reitor. Mas não creio que esse sistema funcione aqui, porque contraria as tradições construídas nas últimas décadas e que tendem à eleição. Nosso sistema foi testado, está superado e defendo sua mudança para o futuro. Mudá-lo a quatro meses das eleições seria ilegítimo. Mas ele precisa ser ampliado.
Concluindo: primeiro, toda e qualquer mudança na direção da universidade só terá valor se aumentar, e não diminuir, a qualidade da pesquisa científica que fazemos. É por isso que muitos se opõem à eleição direta, na qual veem a subordinação da qualidade a questões políticas, a redução da autoridade ao poder. Segundo, precisa aumentar sensivelmente o colégio que escolhe o reitor. Pessoalmente, defendo que um colégio mais amplo -que inclua os membros dos conselhos departamentais e das comissões estatutárias nas faculdades- vote no primeiro turno; que o segundo turno também se amplie, talvez com o mesmo colégio; e que se negocie com o governador a substituição da lista tríplice por uma representação da sociedade no colégio eleitoral, de modo que a eleição do reitor se complete pelo voto.”
O itálico é meu.
Junho 21, 2009
Como é a escolha de reitor em outros lugares, Cambridge, Sorbonne, UCLA:
Em Cambridge: “O reitor não é eleito diretamente pela comunidade acadêmica. É anunciado o posto, e um comitê de professores analisa as “applications” [pedidos de candidatura]. O comitê leva em consideração sobretudo a capacidade administrativa dos candidatos.”
Na Sorbone: “Na França o reitor é eleito pelo corpo docente e pelo corpo discente, por meio de conselhos.”
Na Universidade da Califórnia: “Na Universidade da Califórnia, a escolha do reitor tem muito pouco a ver com as decisões dos diversos grupos que compõem a instituição. O reitor é escolhido por uma comissão de regentes (Board of Regents) formada por 26 membros. Dezoito são nomeados pelo governador da Califórnia por um período de 12 anos, um é um estudante nomeado pelos regentes e sete são membros “ex officio”. A comissão leva em consideração a experiência administrativa e a visibilidade acadêmica do candidato a reitor.”
Deu na Folha de hoje.
Junho 21, 2009
Vertentes
Claudemir propôs um tema tão interessante quanto difícil, o significado do resultado das eleições e se Felipe Muller representaria uma continuidade de uma vertente de 16 anos de poder na universidade. Eu não sei qual foi o sentido dessa idéia de continuidade de poder.
Vamos lembrar umas coisas. Em 1985 o Prof. Benetti tomou posse como reitor da UFSM, onde ficou até 1989. Seguiu-se o Prof. Tabajara, entre 1989 e 1993. Depois tivemos a gestão do Prof. Odilon Marcuzzo do Canto, entre 1993 e 1997. Em 1997 assumiu o Prof. Sarkis, que teve dois mandatos, até 2005, quando assumiu o Prof. Lima, que fica até este ano.
O meu modo de ver as coisas: nos anos oitenta desenharam-se três grupos de disputa de influências. Esses grupos gravitavam em torno de três lideranças principais: Benetti, Sarkis e Sérgio Pires. Se fôssemos usar as categorias tradicionais de classificação política, representariam as posições de centro-esquerda, centro-direita e esquerda. Esses grupos estiveram presentes em quase todos os processos de consulta para reitor, a partir de 1989, já que o grupo aglutinado em torno de Sérgio Pires apoiou Benetti em 1984. O Prof. Sarkis teve sua trajetória de liderança catapultada pelo episódio da Assembléia Universitária, ainda nos anos oitenta. Depois foi diretor de seu centro, entre 1991 e 1995, esperou dois anos e finalmente conseguir ser Reitor. Depois dele a história é recente, não vou falar dela.
Eu estava escrevendo isso quando recebi um mail da Gisele falando sobre a FSP de hoje, que continha textos sobre esses temas de eleição de universidades. Obrigado!
Li as matérias da Folha de São Paulo de hoje sobre esse tema de escolha de reitor. Elas confirmam o que venho insistindo aqui. Nenhuma universidade importante pelo mundo afora escolhe reitor como nós fazemos. Falarei disso em outro momento. O que me importa lembrar aqui é o tema abordado no artigo de Renato Janine Ribeiro, professor do Departamento de Filosofia da USP. No seu longo artigo, do qual destacarei apenas uma idéia, ele aborda o tema da escolha de reitor e aprofunda os argumentos que tenho insinuado aqui e em outros lugares, em especial a forma como devemos compreender a idéia e o ideal de democracia dentro de uma instituição como uma universidade pública. Se a democracia é o governo do povo, em que consistiria o povo de uma universidade? Em nenhum momento ele abre mão do que tenho dito aqui: nesses processos não podem ser aplicados, por analogia simples, os critérios que usamos para a política republicana; dada sua natureza, na universidade deve haver sempre a preponderância da voz do docente. Esse é um dos eixos do artigo dele. Outro eixo é a distinção entre poder e autoridade nas universidades. A voz que se deve ouvir na universidade não é a do poder, e sim a da autoridade. Devemos distinguir entre grupos de poder e grupos de autoridade. O tipo de autoridade que deve predominar nas universidades é aquela de natureza acadêmica. Nesse sentido está por ser escrita uma história política da Ufesm, que mostre de que maneira os grupos iniciais de poder que se constituíram nos anos oitenta (que eu apontei no início) estão – ou não – convergindo para grupos de autoridade, que não se sentem reconhecidos e acolhidos nos ditos grupos de poder e muito menos nos processos de escolha de reitor.
É no contexto de uma história desse tipo que eu gostaria de pensar sobre o que pode representar a gestão Felipe-Dalvan, e o que representaria a gestão Burmann-Martha.
Junho 19, 2009
Infocampus
Os responsáveis pelo blogue Infocampus apareceram na minha sala para uma conversa sobre as eleições. Foi a queima-roupa, sem muito tempo para pensar. Mas acho que ficou bom. Leia aqui. Agora é só esperar as pedradas.





