Novembro 8, 2009

Romaria

Romaria (1 of 1)
Relogio  (1 of 1)

Outubro 25, 2009

Eleições

Partido Comunista (1 of 1)O vizinho país vota hoje para Presidente e deputados e senadores. Ontem a tarde conversei com um guardador de carros, numa das ruas transversais à Sarandi, em Rivera, e lhe perguntei em quem iria votar. “Frente Amplia”, não piscou. “Ajudaram muito os mais pobres”, acrescentou. Mujica deve ganhar, talvez em segundo turno, esperam, com certo realismo, os da Frente. Ontem mais de onze mil uruguaios tomaram o buquebus para vir da Argentina votar. Outro tanto grande viajou de onibus, da Argentina e do Brasil. O chamado “vigésimo departamento” (no Uruguai os nossos estados são chamados de “departamentos” e são dezenove), é composto pelos uruguaios que vivem no exterior e conta com mais de 500.000 patriotas, que poderão votar por correspondência a partir de 2010, se a medida for aprovada no plebiscito que está sendo realizado hoje. E junto com esse há mais um plebiscito, destinado a rever a anistia aos militares. Um dos pontos mais polêmicos das intenções de Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro que amargou muitos anos de cadeia, é revisar a forma de funcionamento da Udelar, a universidade pública do Uruguai. Autonomia universitária, diz Mujica, não pode ser confundida com independência …
A foto da sede do PC uruguaio pode ser vista em tamanho maior aqui.

Outubro 22, 2009

Saída, voz e lealdade

58269Albert Hirschman sugeriu certa feita um modelo de análise de fenômenos sociais, organizacionais, políticos, etc. Ele chegou a três categorias: saída, voz, lealdade. Elas visam pensar a forma como nós nos comportamos no interior de organizações, as mais diversas.
Seu modelo teve como ponto de partida um conceito da economia, a saída. Quando a gente não está satisfeito com o padeiro da esquina, passamos a comprar de outro. Na política o conceito também funciona: a gente deixa o partido quando a hipocrisia passa dos limites, abandonamos nossa igreja quando a venda de lugares no céu passa da conta, etc. A saída pode ser percebida pelo padeiro, ele tenta melhorar o pão, quem sabe a gente volta. Sair, as vezes, é um alerta para a organização saída. Para quem sai, no entanto, o significado muitas vezes é apenas que a gente não quer mais se aborrecer, bronquear com o partido ou xingar o padeiro. A gente fica quieto e vai embora apenas, escolhe outra padaria. Ou escola. Ou universidade. Ou partido. Ou igreja. A gente sai, para não se incomodar mais. Sair, de certa forma, é fugir.
Agora, a voz. Aqui, a gente abre a boca e tenta mudar as coisas; melhorar o partido ou a igreja, mudar a cabeça do diretor da escola. A voz é o nosso lado participativo, político. Hirschmann relaciona a voz com a saída. Sair tem um custo, e assim vale tentar a voz para mudar as coisas. Assim, voz e saída se mantém em constante relação. Quanto mais não podemos sair, pode-se dizer, mais tentamos exercer a voz. Se estamos muito envolvidos no partido ou no emprego na escola ou nosso filho não tem outra opção de escola razoável – ou seja, nossas saídas são poucas ou nulas – dê-lhe voz.
Mas a voz tem custos, ora se tem. Abrir a boca tem um preço e o menor deles é a dor de garganta. Mobilizar gente com a gente, negociar, juntar os pais ou os colegas de partido, tudo isso custa. Os sindicatos que o digam. Ali se pratica voz, ali se articulam as vontades e os interesses de uma categoria, por exemplo. Nos diretórios partidários, nas associações de pais, ali temos a ação política, a voz. E quando a voz tem força? Suponha que na ilha em que eu moro existe apenas um padeiro. Depois de muito reclamar, posso mesmo ameaçá-lo dizendo que vou passar a comprar pão na ilha vizinha, distante três dias em barco a remo? A voz somente funciona quando houver um outro padeiro por perto, isto é, quando a saída for uma possibilidade real.
Na realidade, a voz só pode ser exercida de modo efetivo quando há possibilidades de saída. Quando não há saída, minha ameaça amolece.
E a lealdade? Seu ponto de partida é simples: a gente tem uma tendência – especialmente quando assinamos a ficha no partido ou o contrato de trabalho ou o contrato com a escola – a querer que as coisas funcionem, e estamos dispostos, intuitivamente, a contribuir com isso. Somos, digamos assim, mais ou menos racionais, desde que as expectativas que tivemos ao fazer esses acordos sejam razoavelmente atendidas pela organização. Lealdade tem a ver com isso. A gente espera ser tratado bem pelo padeiro e pelo diretor da escola. E se for assim não pensaremos em sair ou em botar a boca. Se as coisas funcionarem bem, a organização tem nossa lealdade. E nossa lealdade, com o tempo, pode assegurar a nossa influência na instituição. Isso reforça nossa tendência para a voz e não para a saída.
A lealdade se faz presente sempre no horizonte da possibilidade de saída e seu combustível é a voz.
Ontem, quando alguém, na entrada da Ufesm, com um microfone, assegurava a plenos pulmões, que as universidades públicas estão na corda bamba e que os hospitais universitários estão ameaçados, e etc, eu fiquei pensando nessas coisas que eu lia nos anos oitenta.
Ninguém parecia ouvir o que o sujeito do microfone dizia. Eu fiquei ali, besta como sou, pensando se ele dizia algo.

Outubro 17, 2009

Lembrando Walt Whitman

whitman_walt-1977.2 Ei, tu que me ouves aí em cima! Que tens a dizer-me? Olha-me no rosto enquanto respiro a tarde
(Fala com franqueza, mais ninguém te ouve, e eu só fico mais um minuto).
Contradigo-me?
Muito bem, então contradigo-me,
(Sou imenso, contenho multidões).
Walt Whitman, Canto de Mim Mesmo, 51.

Outubro 17, 2009

Amor à sabedoria

No final de semana passado o Luís Fernando Veríssimo escreveu, para a Zero Hora, uma bela história que envolvia a filosofia. Uma menina pergunta ao professor o que é a filosofia. O professor responde que é amor à sabedoria. De quem, pergunta a garota? O professor pede esclarecimentos. É que estou namorando um filósofo. Ele parece amar muito a sabedoria. A dele. Na dos outros, não parece muito interessado.

Outubro 15, 2009

Dois cursos ao mesmo tempo

Em 1985 a administração Benetti, na UFSM, discutiu e aprovou a proibição de um mesmo aluno da instituição ocupar duas vagas na mesma. A medida, aprovada no CEPE, preservava o direito de quem cursava mais de uma graduação, mas vedava essa possibilidade aos novos vestibulandos. Muita gente chiou, mas a medida vingou durante toda a gestão do Prof. Benetti e mais um tanto adiante. Em algum momento posterior alguém ou muitos no CEPE cederam e deu no que deu. Hoje tem gente que faz três cursos superiores gratuitos ao mesmo tempo.
Os deputados e senadores, em 2009, estão voltando no tempo. Volta a regra que foi proposta na gestão Benetti, ali pelos anos de 1985. A cada cidadão, uma vaga para um curso superior.
Naquele tempo se pensava no sentido de uma universidade pública e gratuita.
Quem sabe nem tudo está perdido? Só que não me lembro de haver protestos sobre isso ultimamente.

Outubro 14, 2009

O dia que o professor sumiu

A Zero Hora está publicando uma série de reportagens sobre a violência nas escolas. A queixa é que os alunos não mais respeitam os professores, quer nas escolas particulares, quer nas escolas públicas.
Isso me faz lembrar uma história.
Os senhores e as senhoras professores reuniram-se uma vez em assembléia e decidiram que não mais queriam ser chamados de professores. Eles eram, isso sim, trabalhadores. Trabalhadores da educação. Ficaram muito contentes com a brilhante e solidária idéia e com a histórica decisão.
Alguns alunos tomaram conhecimento da idéia e decidiram que deveriam ser solidários com seus mestres, isto é, com os trabalhadores. Fizeram uma assembléia e decidiram que se não existiam mais professores, não mais deveriam existir alunos. Eles seriam os clientes dos trabalhadores. Um deles disse que nas escolas particulares seria mais adequado dizer que eles, que pagavam mensalidades, deveriam ser chamados de patrões.
E assim foi.
Os diretores das escolas, em solidariedade a essa brilhante idéia, decidiram que as escolas deveriam ser consideradas como empresas que prestam serviços. Alguns até abriram franquias. A educação, afinal, é uma mercadoria simbólica, lembrou um filósofo, desses que ficam de plantão para ganhar um aplauso dos distraídos.
Marola da história: há malas que a gente despacha e que custam a chegar. Mas um dia chegam e custam muito caro, a gente nem as reconhece.
Acho que lembrei dessa história porque um dia desses fui num grande evento com os maiores trabalhadores da educação da Ufesm e da Unifra, para discutir os planos nacionais da encucação de Zilbra e ali foi aprovado que temos que nos chamar de “trabalhadores da educacão”.
No pé, o tiro.

Outubro 13, 2009

Dona Romilda

Exposicao (1 of 1)Para os amigos que não puderam ir na exposição no domingo, devido ao mau tempo final da tarde, deixo aqui o telefone da Dona Romilda – 55.3289.1095 – para que possam encomendar um almoço ou janta, passear em Vale Vêneto e ver as codaques que o Pedro e eu fizemos e que estão lá no restaurante. E por lá as codaques ficarão por um bom tempo, não se apressem, podem esperar o tempo ficar mais amigável. Àqueles que atravessaram chuvas e ventos nossos mais sinceros agradecimentos pela presença naquela memorável noite.

Outubro 4, 2009

“Na luz do Vale”

No domingo próximo, dia 11, as 18.00 horas, Pedro e eu estaremos recebendo os amigos no Bar da Dona Romilda, para mostrar as fotos feitas “na luz do Vale”. As fotografias foram feitas, em sua grande maioria, no ano de 2009. Elas não teriam sido possíveis sem a colaboração de dezenas de pessoas, em especial de Dona Romilda, de seu Arlindo, de Rejane e Paula, que nos acolheram generosamente tantas vezes no restaurante, com informações preciosas sobre a região e auxílios diversos. Essa mostra é a primeira parte de um trabalho que vamos continuar fazendo, documentando a região e seu cotidiano. Queremos aqui agradecer a todos os moradores que nos deram parte de seu tempo, permitindo que os fotografássemos no cotidiano. Cito alguns, no sabor da memória: Luis André e Maria Dotto Marin, Leoclides e Leonilda Righi, Ataídes, Idelma e Amauri Pivetta, Dorvalino e Clementina Sartori, Irineu e Célia Bordignon, Zeferino Meneghel e Elsa, Anibal Brondani e filho, Irmã Ana e Irmã Ilza, Lírio Stefanello, Ana e Virgínia Venturini, Santina e Benjamin Righi, Evandro Righi e Daiana, Remo, as professoras e alunos da escola local e muitos outros. Ricardo ‘Cramento’ Bordignon merece um agradecimento especial pelo tanto que nos ajudou.
A impressão das fotos foi uma cortesia do Antonio, da Imagem Digital. Não foi a primeira vez que ele colaborou com a gente, e eu quero deixar aqui registrada a nossa gratidão a ele à sua empresa.
No domingo, 11, haverá almoço típico ao meio-dia e as três horas da tarde o desfile comemorativo à imigração, seguindo-se mateada e música na praça. As 18.00 horas vamos receber os amigos ali no Bar.
Durante a semana acontecerão atividades, em especial de quinta-feira em diante. Dia 17, sábado, haverá um concerto na Igreja com a Orquestra de Sopro da UFSM, as 18.00 horas.

Setembro 30, 2009

Convite aos amigos e leitores

Anibal (1 of 1) No dia 11 de outubro próximo, no domingo a tarde, Pedro Gomes da Rocha e eu estaremos mostrando algumas fotografias que fizemos neste ano na região de Vale Vêneto. A mostra vai ser no bar da Dona Romilda, em frente à Igreja e estamos convidando todos os amigos para aparecer lá e tomar conosco uma taça de vinho com queijo e cuca. Aqui, por exemplo, está uma das fotos, do seu Aníbal Brondani, vigiando o processo de destilação da purinha que fabrica com zelo.