janeiro 6, 2010
Rio Jacuí
janeiro 6, 2010
Dona Francisca, 3.



A primeira foto mostra a praça de Dona Francisca, invadida pelo Jacuí. A segunda mostra um trecho do asfalto que ficou isolado entre duas pequenas pontes cujas cabeceiras ruíram. As águas do Jacuí cobriram a estrada (RS149), como se pode ver. A terceira mostra o estrago em uma das cabeceiras. Essa ponte fica entre Dona Francisca e Agudo. Ali caíram as cabeceiras de duas pontes. A estradinha de chão que era uma alternativa também teve sua pontezinha destruída. Para ir de Agudo a Dona Francisca, coisa de cinco minutos antes das chuvas, agora um carro leva cinco horas, pois precisa ir até São Sepé, Cachoeira, etc.
Mais fotos no flickr do Pedro:
janeiro 6, 2010
Dona Francisca – 2 –

Entre Dona Francisca e Agudo está o Rio Jacuí. A ponte sobre o Jacuí está boa. No entanto, existem mais duas pequenas pontes depois delas. Ambas tiveram as cabeceiras levadas pela enchente. Na foto acima está a primeira delas. Há uma ligação por estrada de chão entre as duas cidades. Essa também foi interrompida pela enchente. O prefeito de Dona Francisca calcula que vai precisar de três ou quatro dias de trabalho para arrumar a estrada de chão, muito precária. Conversei com um morador de Dona Francisca que precisa ir para Agudo trabalhar. A pé ele levará uma hora. De carro, umas quatro ou cinco.
janeiro 6, 2010
Dona Francisca
Dona Francisca é uma pequeníssima cidade da Quarta Colônia, terra de moças muito bonitas e enovelada pelo Rio Jacuí. Ele serpenteia ao redor dela, verde, irrigando umas tantas e quantas lavouras de arroz. É um lugar muito bonito. Quando eu tinha dezenove anos fui num baile por lá e me encantei com uma das filhas do lugar, mas não deu certo. Voltei hoje lá e fiz umas fotos. Essa aqui embaixo é uma delas. Ela mostra o Jacuí transbordando, invadindo os campos de arroz e a cidade.

dezembro 20, 2009
Esses domingos molhados
Nesses domingos molhados de dezembro em Santa Maria quase podemos cortar o ar com a faca da manteiga. Um gesto a mais e a gota escorre na testa e pinga no olho, salgada. A gata deita na laje fria e pisca.
dezembro 19, 2009
Quem não cometeu?
Quem não cometeu versos na adolescência? Aqui, tomo a palavra “versos” de modo vago, de modo a abranger a poesia, mas também as divagações confusas sobre o mundo.
Na minha turma de clássico, no Maneco, ler era uma paixão.
Schirmer, por exemplo, fazia um estilo mais contido, gostava de falar – lembro como se fosse hoje – de relações internacionais como se fosse um assunto da rua onde morava e tinha preferências mais tradicionais em Literatura Brasileira. Ficava com Machado, se lembro bem. O Candinho era dividido. Flertava com concretistas, Rubem Braga, e na hora agá resvalava para o romantismo. Cézar Schirmer e eu e o Candinho e a Sílvia e o Paulinho e a Vera e tantos demais outros, éramos apenas uns adolescentes metidos, que liam mais do que podiam entender. Por exemplo, Guimarães Rosa era motivo de brigas sobre os conflitos entre conteúdo e forma, por exemplo. Li três vezes o Grande Sertão, para escrever um trabalho para a professora de Literatura (Léxico e Sintaxe em GSV), e incorri na ira do Tarso Genro, que, em nome do realismo luckacsiano, me advertiu sobre os limites políticos de quem privilegiava a forma, o estilo, o som da língua.
O que pensar de tudo isso hoje? Li a matéria da ZH de hoje sobre o Paulo Neves e me deu uma alegria. O Paulo Neves escreve muito bem, e diz coisas bonitas sobre poesia e adolescência. A reflexão dele sobre a des-importância da poesia na vida da gente é um tento.
Escrevi poemas horríveis na minha adolescência, como quase todos os meus colegas. O Paulo Neves joga umas luzes sobre essas compulsões. Ilumina.
dezembro 12, 2009
A primeira foi decidida no Avenida
A primeira greve de professores da rede estadual do Rio Grande do Sul, para a região de nossa cidade, foi discutida e decidida na sede do Avenida Tênis Clube. A professora Sara Veras liderava a categoria. Era o ano de 1979. Ali quebrava-se um tabu, dizia-se. O tabu era que professor não fazia greve. Sara Veras deve ter sofrido, imagino, mas sustentou a greve.
Era uma porteira que se abria, mas ninguém, acho eu, imaginava o que viria. Em doze anos, até o início dos anos oitenta, o CEPERGS totalizou quase quatrocentos dias de greve do magistério.
De 1979 até hoje, imagino eu, temos quase seiscentos dias de greve.
Uma conta parecida se faz nas universidades. Falta pensar nos custos de tudo isso. O que ganhamos, o que perdemos?
Cada vez me parece mais evidente que uma das perdas ocorreu em uma área quase inefável.
Quebramos um tabu, mas a mística do professor entrou em crise.
Éramos professores, talvez mestres. Aí alguém sugeriu que a gente deveria ser apenas “trabalhador em educação”. Isso seria bom para as greves.
Deu no que deu. Com o fim dos professores, acabaram-se as escolas.
E as greves viraram isso que vamos ver nessa semana; pura chantagem, de lado e de outro.
Toca recomeçar tudo de novo.
novembro 24, 2009
A faca e a cachorrada
Um sujeito que escreve coisas maravilhosas sobre faca é o Cabral de Melo. A faca do Jorge Borges em “O Sul” é a mais famosa da literatura, quem sabe. Mas o David Mamet escreveu um livro com esse título provocativo, “Três usos da faca” que me encantou. Saiu pela Civilização em 2001 e apenas agora o li, pela indicação do Pedro Rocha. O livro é uma reflexão “sobre a natureza e a finalidade do drama”. Drama, como ele diz, “é da natureza humana”. É a primeira frase do livro, que é pequeno, 82 páginas, mas cumpre o que promete, nos falar um pouco e bem sobre a composição do drama, no teatro, no cinema, na vida nossa de cada dia. Fiquei muito contente com a descoberta desse livro, que já li vez e meia no avião e no onibus. Eu me interessei por ele porque volta e meia me pego pensando sobre os rumos da arte nos dias de hoje, dividida entre algo que teimamos em chamar de arte e outras coisas que chamamos de entretenimento, e o Mamet discute bem isso. Lá pelos parágrafos me lembrei do Mestre Guina, não sei bem porquê:
“Shakespeare nos informa que a verdade é um cachorro que tem de ser chicoteado de volta ao canil, enquanto a senhora cadela pode ficar ao pé da lareira, fedendo”.
Achei muito bom isso do cachorro. De apontar na caderneta.
novembro 15, 2009
El último objeto de culto
Depois de ler a matéria na ZH de hoje sobre a blogueira cubana, Yoani Sanchez, que está lançando um livro no Brasil, fui ler o blogue da moça. Vai aqui o link do Generacion y. O texto de hoje aborda um discurso de Fidel Castro elogiando as virtudes do programa cubano de fabricação e venda de panelas de pressão que cozinham com menos gasto de combustível. Fidel ocupou por várias horas a tevê cubana explicando às donas de casa as virtudes das novas panelas. É assim que termina? Fui conferir a notícia, mas há quase nada no Google sobre o tema.
O blogue da Yoany tem incomodado e já tem gente para dizer que a moça é manipulada pelo Pentágono, como se pode ver nesse outro blogue, de sintomático nome La Machetera. Vou pegar minha lambreta e dar um pulo na Ilha para ver de perto o tema, se eu puder.
novembro 15, 2009
A Bússola da UFSM
Faz um tempão (15 de abril de 2009) que escrevi sobre a escultura que a atual administração da Ufesm postou na Avenida Roraima, nas proximidades da rótula. Naquela época o trabalho não estava concluído. Entre outras coisas eu disse que minha impressão era que a obra deixava o espectador um tanto desorientado: uma profusão de cores, uma forma ambígua de rosto e mapa, quatro pontas a sugerir os pontos cardeais, indicados por quatro letras.
Agora a Bússola está pronta.
Num sítio da internet encontrei uma matéria que diz que “Amoretti justifica o elemento simbólico por entender que o objeto é um instrumento de orientação considerado um dos maiores inventos da Humanidade. “A bússola, assim como a Universidade, nos permite tomar rumos do desconhecido”, esclarece Juan, que complementa: “como símbolo de orientação, aponta o rumo para aqueles que buscam a Instituição a fim de concretizar sonhos, ideais nos saberes das Ciências, Artes e letras”.
Acho boa essa comparação da bússola com a universidade.
Agora, no que diz respeito ao monumento, que fazer? Eu não gostei. Achei que o resultado final, que mistura elementos figurativos (o rosto), letras do alfabeto, pontos cardeais, num formato indefinido (mapa?) não ficou bom. Mais não digo porque se trata, como disse, de meu gosto, que pode ser um mau gosto. Agora, no mesmo sítio fiquei sabendo que Amoretti fez um projeto a ser concretizado (ou metalizado?) pela Prefeitura Municipal de Santa Maria, nas proximidades da rótula nova da Casa de Retiros. Trata-se de uma homenagem a Ícaro.
Da Bússola eu digo que não gostei, simplesmente. Agora, se o Ícaro for esse que está na foto acima (que encontrei na mesma matéria da internet), aí vai dar um debate bem interessante, eu acho, sobre os rumos da escultura bocamontina no contexto atual, não?
Para ver a matéria original sobre o Ícaro, com a foto, clica aqui.




